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Ao meu querido papai Ricardo Barros

Meu querido papai Ricardo Barros

Mamãe Cida e eu já falamos várias vezes para o senhor conter seu impulso Magda. Afinal, já basta a presidenta inocenta e sua tropa em estado choque pela perda do governo para ofender nossos tímpanos.

Mas não, o senhor não nos ouve: continua falando o que pensa ou pensando sem falar, sei lá, o que dá no mesmo: vexame.

Vexame para o senhor e para nós, que o amamos tanto e a quem devemos tanto: mamãe é vice-governadora do Paraná eu, na flor da idade, deputada estadual graças ao senhor.

Obrigada, papai.

A gratidão, contudo, não impede – antes exige – que, mais uma vez, chame sua atenção para as falas destrambelhadas que têm pautado sua presença no comando do Ministério da Saúde, o mais alto cargo que o senhor (merecidamente) ocupa. Parabéns, papai, por essa conquista.

Mas voltemos ao tema: o senhor está falando besteira demais, papai. Mal havia assumido o cargo e disse que o SUS era superdimensionado e precisava ter limitações. Depois disse que o problema de superlotação do SUS era causado por hipocondríacos. Em seguida, anunciou que lançaria um programa de saúde privada popular, ou algo assim (confesso que até hoje não entendi o que o senhor pretende). E agora, que absurdo, papai, diz que os homens morrem mais cedo que as mulheres porque trabalham mais do que elas!

Essa foi de doer, papai, pois o senhor agrediu todas as mulheres em geral e a mamãe e a mim em particular. O senhor sabe como trabalhamos tanto! Faça chuva, faça sol, faça frio, faça calor, de camburão, carro oficial ou mesmo com os nossos, vamos todos os dias ao trabalho, só nos ausentado quando viajamos ao exterior. Em missão oficial ou em férias, pois, afinal, ninguém é de ferro, nem mesmo os Barros.

Nossa vida é dura, papai, e o senhor sabe muito bem disso.

Então, por favor, peça desculpas às milhões de mulheres que o senhor ofendeu. Todos nós precisamos dos votos delas, papai, não se esqueça!

Esta é a segunda vez que lhe dou um pito em público. A primeira – lembra-se? – foi quando o senhor negociou com Dilma ocupar o Ministério da Saúde em troca de votar contra o impeachment dela. Minha bronca deu certo: o senhor virou a casaca e recebeu o mesmo prêmio. Bravo! E rendeu muita notícia de jornal que me favoreceu pacas (deculpe-me por usar essa expressão; foi meu impulso juvenil). Bravo também!

E é o que está acontecendo agora: o senhor surge como vilão, e eu – que preciso de votos para me eleger prefeita de Curitiba – ganho novamente as manchetes. Assim, combino essa reprimenda com um agradecimento por me permitir mais esta exposição positiva.

Papai, eu te amo.

Maria Victoria

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