26°
Máx
19°
Min

Às vésperas de subir ao cadafalso, o PT grita e ninguém o ouve

A dois dias do início da fase final do julgamento final de Dilma Rousseff, cujo desfecho lógico será seu afastamento por crime de responsabilidade, e o país vive na mais absoluta calma: não há protestos de rua, não há “trincheiras” nem “armas” prometidas pelo PT, não há saques, os militares continuam nos quartéis, as instituições em pleno funcionamento, a imprensa livre para falar as abobrinhas que quiser.

Onde, então, foi parar o “golpe” do qual Dilma e o PT se dizem vítimas?

Somente no imaginário deles, expresso em suas cada vez mais coléricas manifestações na internet, compartilhadas pelos próprios e sem repercussão alguma. Vez ou outra, um “jurista”, escritor ou jornalista engajado publica seus alfarrábios, igualmente compartilhados pelos petistas – e só por eles.

Dilma e o PT – e o mentor e guru de ambos, Lula – foram abandonados na fase final da agonia. O patíbulo, transmutado em deposição por vias democráticas, está montado em praça pública, aguardando apenas que eles subam. O início da cerimônia está previsto para quinta-feira – e ninguém, exceto os réus, se excita, ninguém se comovo.

Onde estão os famélicos que eles dizem ter saciado?

Onde estão os miseráveis – milhões deles – que dizem ter tirado da pobreza?

Onde está a classe média (a “maldita classe média”, na avaliação de Marilena Chauí), beneficiada com o pleno emprego, o aumento da renda, o crédito fácil

para a compra da casa própria, do carro e do curso superior?

Onde estão os magnatas beneficiados com os nababescos programas de incentivo?

Estão em toda parte, vivendo suas vidas e lutando para sobreviver à devastadora crise econômica semeada pelo petismo, menos ao lado do cadafalso em que Dilma, personificando Lula e o PT, será merecidamente deposta de suas funções e galardões.

O Brasil assiste em silêncio, mas profundamente aliviado, ao desfecho da farsa encenada pelo PT desde 2003, iniciada com a promessa de impor a ética como fio condutor da ação pública e encerrada com a revelação de ter organizado e se beneficiado – o partido e seus líderes – do mais ousado e voraz esquema de corrupção de que se tem notícia.

A farsa durou muito tempo, mas, uma vez descoberta, tornou inócua toda ação do PT, de Dilma e de Lula de se apresentarem como vítimas das “elites”, às quais se uniram para empreender o assalto ao Estado. Eles continuam gritando, mas seus gritos são sufocados pela apatia generalizada de quem deveria ouvi-los. Apatia provocada pelo descrédito dos que se apresentam como vítimas e pelo desejo coletivo de se livrar de seus algozes.

A calma que vivemos sucede à tempestade deflagrada pelo PT. E antecede uma nova era, pautada por desafios imensos, sim, mas também pela esperança de que dias melhores virão.

Acompanhe www.josepedriali.com.br