21°
Máx
17°
Min

Bernardo recupera provisoriamente a liberdade. A imagem, jamais

O ministro do STF José Antonio Dias Toffoli mandou soltar o ex-ministro petista Paulo Bernardo, principal personagem da Operação Custo Brasil, que desvendou um gigantesco, grotesco, despudorado e cruel esquema de rapinagem dos servidores públicos federais. O roubo foi praticado a conta-gotas, por meio da concessão de crédito consignado, administrado pela Consist, empresa contratada fraudulentamente pelo Ministério do Planejamento quando sob a chefia de Bernardo.

O esquema rendeu pelo menos R$ 100 milhões aos criminosos, entre os quais são apontados o ex-ministro da Previdência e amigo da presidente@ afastada Dilma Rousseff e, como principal beneficiário, o diretório nacional do PT.

Bernardo, segundo a acusação, teria embolsado pelo menos R$ 5,4 milhões e o advogado Guilherme Gonçalves, que atendia o ex-ministro e a mulher, a senadora petista Gleisi Hoffmann – também beneficiária do esquema –, R$ 1,6 milhão. A Consist superfaturou as tarifas de administração de crédito consignado para repassar dois terços delas aos criminosos.

Toffoli alegou que Bernardo foi submetido a “constrangimento ilegal”, uma vez que, na sua opinião, não havia a necessidade de decretar sua prisão preventiva, ordenada pelo juiz federal Paulo Bueno de Azevedo, de São Paulo. O ministro desqualificou a possibilidade, um dos fundamentos da ordem de prisão, de Bernardo continuar delinquindo ou atrapalhar as investigações. Evocou o mensalão, que puniu os criminosos submetendo-os a julgamento em liberdade, e orientou o juiz federal a adotar procedimentos coercitivos em relação a Bernardo. Entre eles o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de se encontrar com outros envolvidos no roubo e recolhimento em sua residência ao cair da noite, etc.

Bernardo recupera a liberdade – pelo menos provisoriamente, já que a decisão de Toffoli pode ser revista pelo plenário do tribunal – até que a Justiça se manifeste sobre a acusação que recai sobre ele e seus comparsas. As provas e testemunhos são eloquentes, o que faz antever que seu destino é amargar um bom tempo atrás das grades.

Mas o ex-ministro jamais recuperará a imagem de bom moço que os crimes dos quais é acusado comprometeram definitivamente. Sua máscara caiu, revelando um monstro insensível que, para enriquecimento pessoal e financiamento das atividades da organização criminosa a que pertence, constrangeu ilegalmente, assaltando-os, os servidores públicos fragilizados financeiramente.

Acompanhe www.josepedriali.com.br