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Decisão de juíza frustra manobra para antecipar eleição e põe Moro no encalço de Lula

Ah, como seria bom antecipar para este ano a eleição para a presidência da República – e, de preferência, precedida da renúncia de Dilma que, assim, escaparia da maldição do impeachment!

Antecipando-se as eleições, Lula daria uma esperança de sobrevida ao PT e à esquerda, incapazes, ao longo de 13 anos, quatro meses e três dias no poder, de gestar um novo líder. De lambuja, o ex-presidente obteria o foro privilegiado que o afastaria por um bom tempo da jurisdição do juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato.

Foro que Dilma lhe concedeu ao nomeá-lo chefe da Casa Civil em março, nomeação que o tucano, reacionário, conservador e golpista ministro do STF Gilmar Mendes suspendeu por vislumbrar – canalha! – “desvio de poder” e tentativa de “obstrução da justiça” na ação da presidente@. Repito: canalha!

O foro continua suspenso. Manifestação do plenário do STF prevista para meados do mês passado foi suspensa a pedido de Teori Zavascki. Sábia decisão. O STF deu tempo ao tempo: esperará a votação do Senado sobre o processo de impeachment de Dilma, que, uma vez referendado, ocasionará a “perda do objeto” da causa, pois tudo indica que a presidente@ será afastada e, assim, a nomeação de Lula será sepultada pelas circunstâncias.

Nesse meio tempo – aleluia! – e por decisão do mesmo Teori, as investigações da Lava Jato sobre Lula foram encampadas pelo STF e lá ficarão até que o ministro decida o que deve e o que não deve ser julgado pelo tribunal. As investigações envolvem pessoas de foro privilegiado, abordadas por Lula na tentativa de obstruir as investigações, como revelam os telefonemas grampeados com autorização de Moro.

Toda essa manobra, que resultará na inevitável abertura de processo contra Lula e Dilma – ela responderá no STF, ele na justiça comum - deu apenas um pouco mais de fôlego para que o ex-presidente cumprisse sua agenda, composta de duas atividades: primeira, tentar evitar que a Câmara aceitasse o pedido de impeachment; segunda, uma vez derrotado nessa missão, liderar o processo de sabotagem ao governo do vice-presidente Michel Temer.

Lula perderá também nessa frente, pois o governo de Temer se consolida irreversivelmente. E quando esperava ter ganhado distância confortável de Moro, eis que a juíza Maria Priscilla Ernandes Veiga Oliveira, da 4ª Vara Criminal de São Paulo, remete ao juiz federal o pedido de prisão preventiva de Lula. A denúncia, feita pelo MP de São Paulo, refere-se à participação do ex-presidente no caso Bancoop – a cooperativa dos bancários que o PT faliu depois de rapiná-la. Lula foi beneficiado com um tríplex de frente para o mar no Guarujá enquanto milhares de cooperados ficaram a ver estrelas. O pedido de prisão é derivado das denúncias de falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Assim, por mais que o Supremo demore a se pronunciar sobre o caso Lula, o ex-presidente caiu novamente, e num caso específico, na esfera de Moro – que é conhecido pelo rigor e rapidez de suas sentenças.

Não há, portanto, tempo hábil – nem manobra, por mais marota que seja, como a antecipação da eleição – capaz de salvar Lula de uma eventual prisão preventiva ordenada por Moro. O ex-possível futuro candidato do PT e da esquerda torna-se, assim, um candidato fortíssimo - e já - a prisioneiro da Superintendência da Polícia Federal de Curitiba.

Prepare as malas, “presidente Lula”, e não se esqueça: o frio curitibano é rigoroso.