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Dilma, a “honesta”, assiste à votação acompanhada de um fugitivo da Justiça

A decisão da Câmara dos Deputados de admitir o processo de impeachment de Dilma foi histórica e simbólica. Histórica por ter marcado, pela segunda vez na jovem democracia brasileira, a possibilidade de afastamento de um presidente da República antes do fim do seu mandato. E simbólica porque, a partir dela, Dilma, que há muito não governava, perdeu toda e qualquer possibilidade de continuar no comando do país. Os poucos mais de 100 votos que obteve na Câmara inviabilizam qualquer iniciativa dela.

Dilma terá suas funções suspensas a partir do acolhimento da denúncia pelo Senado – o que todas as estimativas dão como certa –, tornando-se, a partir de então, uma alma penada vagando pelo Palácio da Alvorada. A chefia do Estado passará para as mãos de Michel Temer.

Até a decisão do Senado, no entanto, viveremos numa zona cinzenta: Dilma ainda será formalmente a presidente@ do país, mas não mandará mais nada. Nem no garçom ou garçonete que lhe serve o cafezinho. Ela é, mas não é. Tornou-se uma ameba política!

O maior simbolismo da votação, no entanto, esteve em outro local – justamente no Palácio da Alvorada, que logo servirá de purgatório para Dilma. Um purgatório que, ao contrário do descrito pela fé católica, não será uma etapa para o céu após a purgação de seus pecados; será, isto sim, uma etapa para o inferno da deposição.

Enquanto a maioria dos deputados bradava “sim” pelo impeachment e uma minoria os acusava de “golpistas” por quererem tirar uma presidente “que não cometeu crime algum”, Dilma assistia à sessão acompanhada de Lula.

A “Virgem Maria”, na definição sarcástica de Paulo Maluf, negava, assim, o argumento central de sua defesa na Câmara. Além de ter cometido crimes contra a Constituição e a Lei de Responsabilidade Fiscal – que ela e seus apaixonados defensores não reconhecem -, a presidente@ assistia ao primeiro ato de seu sepultamento ao lado de um suspeito de crimes sistêmicos contra o patrimônio público.

Foi a esse suspeito, que, além da companhia, encarregou das negocia$$ões para se manter no cargo – negociações tão “republicanas” que os chamados a se reunir com Lula no hotel em que se hospedou eram proibidos de portar celulares e outros objetos que permitissem o registro do encontro. E foi a esse suspeito que ela deu, com a nomeação de chefe da Casa Civil – suspensa pelo STF – o salvo conduto para fugir da prisão preventiva mais do que certa, por ordem do juiz Sérgio Moro. Juiz que comanda uma das frentes de investigação de Lula. Numa delas, a cargo do Ministério Público de São Paulo, Lula foi denunciado por falsidade ideológica e lavagem de dinheiro e teve pedida sua prisão preventiva.

Dilma, a “honesta”...

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