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Dilma imita Getúlio e atira... no pé!

Saiu, enfim, a tão falada carta-testamento de Dilma Rousseff, documento inspirado no penúltimo gesto de Getúlio Vargas, que a madame afirma ser seu inspirador. Com a carta divulgada, só falta agora imitar o último gesto de Getúlio: o suicídio!

Brincadeira à parte, a carta – que ela própria divulgou – comprova a veracidade do princípio de que de onde se espera que não saia nada, nada sairá mesmo. A melhor figura para a carta é o rato parido pela montanha...

“Impeachment sem crime de responsabilidade é golpe”, trovejou a afastada, repetindo o já desgastado – e mentiroso - mantra petista. E quem disse que ela não cometeu crime de responsabilidade? La garantia soy yo, Dilma Rousseff! Portanto, o esforço que o Congresso está fazendo desde o ano passado para chegar a um veredicto é em vão: ela é inocente, e ponto final. Golpe! Golpe!

E o que ela promete aos nobres senadores, a quem quer cooptar em seu derradeiro esforço para se manter no cargo? 1. Um pacto "que fortaleça os valores do estado democrático de direito, a soberania nacional, o desenvolvimento econômico e as conquistas sociais", 2. um "amplo diálogo" com o Congresso Nacional, com a sociedade e movimentos sociais e 3. um plebiscito para novas eleições e reforma política.

Eureca!

Comecemos de trás para frente: 3. O plebiscito foi descartado pelo próprio PT por afrontar o tempo, 2. o diálogo foi o que ela se recusou a praticar em seu governo desastrado e 1) nos cinco anos, quatro meses e 13 dias em que esteve com a faixa presidencial – por falar nisso, cadê a faixa? – ela e seu partido fizeram o possível e o impossível para sabotar o estado de direito, comprometeram a soberania nacional ao entregar sem resistência refinarias na Bolívia e submeter nossa política externa à ideologia do partido e aos interesses financeiros de Lula e Zé Dirceu e produziu a maior recessão da história que, por sua vez, comprometeu as conquistas iniciais no governo anterior de Fernando Henrique (vade retro satana!, resmungarão os petistas).

Seu único gesto de nobreza está na admissão, cautelosa, de que "erros (...) foram cometidos e medidas políticas (...) não foram adotadas" em seu (des)governo. E penitenciou-se: "Acolho essas críticas com humildade para que possamos construir um novo caminho". Tarde demais, pois ela já fechou todos os caminhos que poderiam levar ao passado.

A carta de Dilma comprova seu alheamento, revela-se incapaz de reverter o veredicto e consolida a necessidade de seu afastamento definitivo.

Se tivesse um átimo da grandeza de Getúlio – que apelou para o gesto extremo para sair “da vida para entrar na história” -, Dilma renunciaria: para o bem do país, que tanto castigou, e para tornar menos inglória a sua perniciosa passagem pela presidência. Getúlio atirou no peito. Dilma atirou no pé.

(Presidência? Por falar nisso, cadê a faixa presidencial, desaparecida desde que Dilma foi enxotada do Palácio do Planalto?)

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