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Dilma, Lula e o PT saem pela frente do Planalto. E entram na História pela porta dos fundos

Contrariando o que seus assessores difundiram nos últimos dias, Dilma Rousseff desceu a rampa do Palácio do Planalto depois de ter sido notificado a deixar as funções de presidente.

Entre um ato e outro, ela fez uma declaração à imprensa (texto lido) no Salão Leste do palácio, onde repetiu a arenga de ter sido vítima de um “golpe” e de uma “sabotagem”. Admitiu: “posso ter cometido erros”, ressalvando: “Mas não cometi crime algum”. Comparou o momento que vivia e a “profunda dor” que a acometia à tortura que sofreu durante a ditadura militar (queria implantar outra, de esquerda) e à luta contra o câncer.

Lula não estava ao seu lado neste momento, mas apareceu atrás dela, abatido, quando Dilma desceu a rampa num ato triunfalista que disfarça um cortejo fúnebre. E, na rampa, a president@ afastada fez um discurso de improviso para as centenas de militantes e sindicalistas que a aguardavam. Ela repetiu o que dissera, sem o ordenamento lógico de antes.

E, sob forte esquema de segurança e protegida por um alambrado, Dilma abraçou e apertou as mãos de simpatizantes. Então, embarcou no carro que a levou ao Palácio da Alvorada, onde permanecerá até o veredicto do Senado.

A descida pela rampa contrasta com a saída pelos fundos de Fernando Collor, cassado em 1992 e que votou hoje pelo afastamento de Dilma. Contrasta também com o de João Figueiredo, último presidente do regime militar, que, em 1985, se recusou a passar a faixa ao sucessor, José Sarney, e saiu pelos fundos, anonimamente.

Collor deixou o palácio pelos fundos porque não havia apoiadores esperando-o na frente – seu partido, ao contrário do PT, não tinha dinheiro para financiar viagem e estada de “voluntários”.

O gesto de Figueiredo simbolizou o fim melancólico de um ciclo e o reconhecimento tardio de seus erros.

A saída de Dilma pela frente e escoltada por Lula expressa a arrogância do PT, que jamais admitirá ter cometido qualquer crime, ter levado o país à maior recessão da história, ter organizado o maior saque aos cofres públicos de que se tem notícia.

O PT deixa o poder pela porta da frente, mas entra para a história pela porta dos fundos, consagrando-se como o partido que mais prometeu e que mais frustrou os que confiaram nele. O partido que se revelou a mais astuta, perversa e arrojada organização criminosa em cinco séculos de Brasil.

Acompanhe José Pedriali