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Dilma tropeça na largada: tese da "conspiração" que a afastou do poder é ignorada

A defesa da president@ afastada Dilma Rousseff – leia-se José Eduardo Cardozo - fez dos grampos telefônicos produzidos pelo ex-presidente da Transpetro Sergio Machado a peça central de sua argumentação.

E, com isso, colheu a primeira derrota nessa fase decisiva do julgamento, iniciada esta semana: as gravações foram rejeitadas pelo relator Antonio Anastasia, cujo parecer foi referendado pela maioria dos membros da comissão especial.

O protagonista dos grampos é o ex-ministro do Planejamento Romero Jucá que, entre várias iniciativas para agradar o interlocutor, afirma que a deposição de Dilma era necessária para “estancar a sangria”, o que foi interpretado como uma manobra para conter a Lava Jato.

Fiat lux! Vencido em todos os argumentos em todas as instâncias em que praticou a advocacia pessoal de Dilma, na condição de Advogado-Geral da União, Cardozo encontrou nessa inconfidência a luz que faltava, a luz que reconduziria a chef@ e o PT ao poder. E o patrono de ambos, Lula, é claro.

Afinal, que tramoia mais ardilosa e criminosa foi o impeachment de Dilma, praticado para impedir que ela e o PT levassem adiante sua cruzada ética, empreendida por meio da força-tarefa da Lava Jato e do impoluto juiz Sérgio Moro...

Um dos termos mais recorrentes de Cardoso para caracterizar a motivação do impeachment foi “desvio de finalidade”. Desvio inicialmente atribuído a Eduardo Cunha, presidente da Câmara, que teria dado início ao processo por "vingança". Agora é atribuído a um bando de conspiradores.

A acusação é tão descabida que, no caso de Cunha, sequer foi considerada pelo STF, E, em relação à conspiração das trevas, é outra alucinação, um verdadeiro desvio de finalidade: o crime de responsabilidade imputado a Dilma se transforma num pretexto, num recurso maquivalévico de "corruptos" contra a "honesta" president@ afstada.

O que tem a maionese a ver com o Daguestão?

Nada. Por isso, o recurso a esse argumento atabalhoado, em vez de convencer os senadores indecisos, deu-lhes um forte argumento para votarem pelo afastamento definitivo de Dilma, E enfraqueceu a convição dos que votaram "não" e pretendiam repeti-lo.

Além do mais, se o julgamento dela foi admitido por 55 senadores, esses 55 são agentes ou cúmplices do complô diabólico...

Acompanhe José Pedriali