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E então, Kireeff, já decidiu?

É uma questão de horas para o encerramento do prazo para filiação ou mudança de partido dos interessados em disputar a eleição para prefeito este ano. E a pergunta é inevitável: Alexandre Kireeff, prefeito de Londrina, continuará no PSD ou bandeará para o PV como quer o novo líder da sigla, o senador Alvaro Dias?

O prazo se encerra no dia 2 de abril, seis meses antes do primeiro turno da eleição.

Há menos de um mês, o presidente do PSD do Paraná, Eduardo Sciarra – então chefe da Casa Civil do governo do Estado – garantiu, após comandar reunião do diretório londrinense, que Kireeff estava confirmadíssimo na sigla. Falou num dia e no outro ouviu de Kireeff que não havia nada decidido.

A decisão de Kireeff terá efeito estadual, pois dela dependem algumas composições, e deverá ser seguida do anúncio de que ele será ou não candidato à reeleição. Até o momento, o prefeito do segundo maior colégio eleitoral do estado dá indicações ambíguas sobre suas intenções. Se disser não, será um caso raro de chefe de Executivo bem avaliado pelo eleitorado que abre mão de um segundo mandato consecutivo. Se disser sim, marcará posição como o favorito para a disputa.

Se se mantiver no PSD e disputar a reeleição, Kireeff reforçará as pretensões de Ratinho Jr., secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e que acaba de aderir à sigla, conservando a influência na Assembleia Legislativa sobre o PSC, da qual era filiado. A mudança de partido de Ratinho levou à exoneração de Sciarra da Casa Civil, posto agora ocupado pelo deputado federal Valdir Rossoni, tucano como o governador Beto Richa. Ratinho é um nome forte para a disputa pela Prefeitura de Curitiba (ficou em segundo há quatro anos), além de ser um dos candidatos em potencial para a sucessão de Beto.

Mas há várias pedras, e grandes, pelo caminho de Ratinho. Uma delas é o próprio governador, que está em busca de um sucessor que possa fortalecer sua eventual candidatura ao Senado – que é o que lhe resta, pois está no segundo mandato consecutivo, além da Câmara, possibilidade menos prestigiosa. Resta também a Beto ficar no cargo até o final do mandato, inviabilizando-se com candidato em 2018 (a exemplo de Alvaro Dias em 1991), apoiando um candidato forte e cacifando-se para voltar à prefeitura da capital (por que não?) dois anos depois, o que lhe daria munição para tentar de novo o Iguaçu (por que não?) em igual espaço de tempo. Nesse caso, implodiria o projeto político do deputado federal Ricardo Barros, do PP, que trabalha para instalar a esposa Cida Borghetti, vice-governadora, no comando do Palácio Iguaçu. Barros voltará o governo em breve, no lugar do irmão Silvio, secretário de Planejamento, ex-prefeito de Maringá e favoritíssimo para suceder Carlos Pupin, outro pupilo de Barros.

Os irmãos Dias – Alvaro e Osmar – estão na lista dos possíveis candidatos ao Iguaçu em 2018. Osmar é sempre lembrado, mas está no ostracismo na condição de diretor do Banco do Brasil, é aliado de Dilma Rousseff (o que é péssimo para um político do Paraná, que rejeita massivamente a presidente) e cujo partido, o PDT, terá dificuldade para reeleger Gustavo Fruet no comando da prefeitura de Curitiba. O retorno de Osmar a um cargo eletivo está, portanto, nas mãos de Fruet.

Enquanto isso, Alvaro mantém-se consolidado como um dos principais líderes da oposição ao governo petista, condição que lhe abre a possibilidade de disputar a presidência da República, cujo caminho está em aberto após a implosão da popularidade de Aécio Neves, até há pouco considerado imbatível. A fragilidade do PV é um dos calcanhares de Aquiles dessa pretensão eventual de Alvaro, da mesma forma como debilita a possibilidade de ele voltar ao Iguaçu. Seu rescaldo eleitoral, no entanto, fará a diferença. Afinal, ele foi um dos senadores mais votados do país, faturando 77% dos votos válidos do Paraná. E não tem nada a perder, já que seu mandato expira em 2022.

Com Alexandre Kireeff no PV, Alvaro Dias terá um aliado precioso. Ainda mais se o prefeito de Londrina se reeleger...

O mundo não depende da decisão de Kireeff, mas o povo quer saber: então, prefeito, já decidiu?

Acompanhe José Pedriali