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Encurralado, Lula se despede da jararaca e se revela um camaleão

Ao deixar a delegacia da Polícia Federal instalada no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, onde fora levado coercitivamente para depor em 4 de março, Lula se comparou a uma jararaca e desafiou: “Acertaram o rabo e não a cabeça; para matar a jararaca, têm de acertar a cabeça”.

Desde então, a jararaca levou pauladas da cabeça ao rabo, sem só nem piedade: a frustrada tentativa de assumir a Casa Civil para escapar do juiz Sergio Moro; a abertura de processo no STF por tentativa de obstrução da Justiça; a deposição de Dilma, que mostrou a Lula que seu antigo poder de convencimento se exaurira; as delações de gente próxima a ele e sobre ele; o avanço da Lava Jato que, por fim, resultou na denúncia, feita ontem, de corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. E, muito além do que temia sua vã imaginação e da companheirada, de ser “o maestro da organização criminosa que saqueou o país”.

E o que fez Lula, a jararaca, com o corpo arrebentado e encurralado e sem uma gota sequer de veneno para inocular no adversário? Chorou! Fez-se de vítima – a eterna vítima das “elites” (às quais passou a pertencer com a fortuna que acumulou servindo-as como um sabujo, em troca de propinas). Apresentou-se como o obstáculo que tem de ser removido para que os pobres não mais usufruam da “riqueza” que seu governo e de sua sucessora lhes proporcionou. Atribuiu a Michel Temer, o “golpista”, a responsabilidade pela crise e de tramar contra “os direitos dos trabalhadores”, direitos que sua sucessora pisoteou após aplicar o estelionato eleitoral de 2014. E acusou os acusadores de “ilusionismo”, tendo sido ele o protagonista do maior espetáculo de ilusionismo da história recente, passando-se pela “viva alma mais honesta deste país”, quando os fatos o apontam, de forma ululante, como um corrupto empedernido.

Lula vitimizou também a sua família. Pediu respeito a Marisa, sua esposa, denunciada com ele. Em nenhum momento do processo eles foram desrespeitados – todo o tratamento que receberam obedeceu à lei. A lei que desrespeitaram pois está cada da mais evidente que os Lula da Silva, cúmplices dos crimes atribuídos ao capo, se comportaram como uma autênticafamiglia.

Quanto às acusações – pesadas, demolidoras – contra ele, o que fez Lula, a jararaca ferida? Escamoteou-as, ignorou-as – pois não tem argumentos para contestá-las.

Se em março Lula se apresentou como jararaca, hoje revelou o que realmente é: um camaleão. Para cada momento, cada ambiente, uma roupagem, uma versão. Ocorre que, assim como a jararaca perdeu o veneno, o camaleão perdeu a capacidade de mimetizar-se. A farsa acabou.

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