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Indignidade. O último ato de Dilma

Foi sua última chance de demonstrar dignidade e grandeza – que pressupõem sinceridade e humildade, e esta o reconhecimento de erros -, discernimento, conhecimento e capacidade gerencial. E demonstrar que, se voltasse ao comando da República, corrigiria os erros que a levaram aonde chegou e ao país ao fundo do poço. Para isso, seria necessário apontar o caminho a seguir.

Nada disso aconteceu: o depoimento de Dilma ontem no Senado sepultou de vez suas chances de retomar o poder. Pois ali, diante dos senadores que a julgam e do país que assiste aliviado ao desfecho do processo de impeachment – e na presença de seu criador Lula -, Dilma Rousseff comportou-se como a Dilma Rousseff de sempre: autoritária, confusa, megalômana, incapaz de reconhecer seus erros (tudo o que de errado houve, e foi muito, é culpa de seus adversários), incapaz de apontar qualquer coisa, mínima que fosse, que pudesse alimentar a esperança de que, de volta ao Planalto, ela reconduziria o país ao trilho do crescimento econômico e da estabilidade política do qual o afastou.

Dilma optou (ou foi convencida) a comparecer ao Senado para dar sua versão sobre sua lúgubre, desastrosa e desastrada passagem pela presidência, que consumiu cinco anos, quatro meses e 13 dias da vitalidade e esperança do país. Interpretou o papel de injustiçada, proba, eficiente, sabotada continuamente pela “elite autoritária”, a primeira mulher a chegar à presidência e na iminência de ser afastada por “misoginia política”, a guerrilheira que volta a ser torturada – antes, por algozes impiedosos; agora por um “arcabouço jurídico” tão golpista quanto a ditadura de direita que combateu de armas nas mãos para substituí-la por uma ditadura de esquerda.

O último ato de Dilma Rousseff perante a opinião pública, seus julgadores e a história antes de sua cassação irreversível, correspondeu ao que ela foi desde o momento em que Lula a apresentou ao país como a “gerentona”: uma farsa! Uma farsa que bate todos os recordes: de profundidade e longevidade da crise econômica, de incompetência administrativa, de conflito de interesses entre o público e o privado, de incapacidade política, de corrupção.

O discurso de Dilma – fiel às mentiras que a levaram e a mantiveram no poder – e seu exaustivo, repetitivo, desconexo, inócuo e também mentiroso depoimento assumiram a condição de seu testamento político. Ao contrário de Getúlio, a quem diz admirar mas revelou-se incapaz de imitar, que “saiu da vida para entrar para a história” com dignidade, Dilma sai da vida pública desonrada e entra para a história como o maior desastre político brasileiro e a consumação da fraude regida por Lula e interpretada por ele, ela e o PT. Que, para o bem geral da Nação e antes tarde do que nunca, lhe fazem companhia no degredo. Continuarão atormentando a Nação, sim, mas como espectros de um passado ruinoso que o país tem pressa em sepultar.

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