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Juiz confirma farsa e anula principal delação da Operação Publicano

O juiz Juliano Nanuncio, da 3º Vara Criminal de Londrina, anulou hoje a farsesca delação premiada do auditor fiscal Luiz Antônio de Souza (foto) – a principal da Operação Publicano, que apura fraudes na Receita Estadual do Paraná.

Nanuncio acolheu, assim, pedido do Ministério Público, que alega que Souza e seu advogado, Eduardo Duarte Ferreira, extorquiram empresários para não incluí-los na delação. A extorsão teria ocorrido após a assinatura do acordo.

A anulação do acordo se estende aos familiares de Souza. A irmã dele, Rosângela Semprebom, é auditora e acusada de participar do crime de extorsão e de exigir propina para não multar empresários em dívida com a Receita.

Souza está preso desde janeiro do ano passado, quando foi flagrado num motel com uma garota de 15 anos. Descobriu-se, a partir daí, a existência de uma rede de exploração sexual de menores, da qual ele se beneficiava, e um amplo esquema de corrupção na Receita. Sessenta auditores estão sendo processados.

A colaboração de Souza facilitou as investigações. Mas dois itens de sua delação – os mais bombásticos – não foram comprovados. O primeiro se referia à existência de uma organização criminosa na Receita, com hierarquia, distribuição de tarefas e divisão de propinas, envolvendo de auditores a chefes do órgão. O segundo, a que essa organização teria financiado a campanha de reeleição de Beto Richa.

A delação permitiria que no dia 30 deste mês Souza passasse para prisão domiciliar e fosse progredindo até obter a liberdade. E somente duas fazendas no Mato Grosso, parte de um patrimônio de R$ 40 milhões, fossem confiscadas.

Souza perdeu a liberdade e todo o patrimônio. E seu advogado responderá por organização criminosa, lavagem de dinheiro e extorsão.

Acompanhe José Pedriali