22°
Máx
17°
Min

Londrina: Marcelo Belinati lidera, mas está mais fragilizado que na disputa anterior

A confirmação do prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD), de que não tentará a reeleição consolida, como era previsível, a dianteira folgada do deputado federal pelo PP Marcelo Belinati e o também deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB) como seu principal adversário.

A informação consta de pesquisa realizada pelo Instituto Multicultural e divulgada pela Folha de Londrina e Rádio Paiquerê AM.

Belinati desponta com 48% de intenções de voto na pesquisa estimulada (27% na espontânea), quatro vezes mais que Hauly, que obteve 12% (9% na espontânea). O empresário e ex-presidente da Associação Comercial e Industrial Valter Orsi, também tucano, fica na terceira colocação com 3,5% (não aparece na espontânea, pois é a primeira vez que seu nome é cogitado), empatadíssimo com o suplente de vereador pelo PR Emerson Petriv, o “Boca Aberta” (3% e 2,5%, respectivamente). O advogado Luciano Odebrecht (PMN) obtém 2,5% e 2%. Os demais 11 pré-candidatos estão com 1% ou menos de intenção de voto.

Se a dianteira de Belinati era mais que esperada com a saída de Kireeff da disputa – que cumpre, assim (aleluia!), a sua promessa de campanha -, a segunda colocação dá a Hauly potencial para entrar de cabeça no páreo, depois de ter ficado ausente na eleição passada.

Hauly

Vencer a corrida para a prefeitura de Londrina é um tabu para ele, derrotado em quatro tentativas. Na eleição passada, o PSDB se dividiu entre o apoio explícito a Belinati, indicando como vice o engenheiro Junker Grassioto, e o apoio dissimulado a Kireeff, do qual Hauly participou. A retribuição de Kireeff seria uma atitude lógica, mas seu apoio (decisivo para 27% dos eleitores) é cobiçado por dois aliados e pré-candidatos, Bruno Veronesi (PSD) e Márcio Stamm (PSB).

Esse apoio seria fundamental para Hauly, que, assim, se apresentaria como a continuidade da administração Kireeff, que é bem avaliada e sucedeu a mais um desastre administrativo e ético, que foi o (des)governo de Homero Barbosa Neto (PDT),o Barbóquio, cassado e que responde a uma penca de processos na Justiça - já foi condenado em vários, inclusive em segunda instância. Barbóquio, por sua vez, foi o sucessor político do tio de Marcelo, Antonio Belinati, prefeito três vezes e cassado na última – e que também responde a uma penca de processos.

Marcelo

Dissociar-se do tio foi um problema que Marcelo tentou evitar na disputa anterior, na qual, como agora, despontava com o franco favorito. Teve o apoio do governador Beto Richa,, então com a popularidade nas nuvens, e de uma dúzia de partidos; previa-se que venceria no primeiro turno, mas eis que surgiu uma pedra no meio do seu caminho, e essa pedra o derrubou – Kireeff, um desconhecido e sem coligação nenhuma.

O mesmo problema o acompanhará nessa campanha. O sobrenome Belinati é anátema e ao mesmo tempo benção para Marcelo: as classes média e alta tendem a rejeitá-lo, mas os Cinco Conjuntos, região densamente povoada, e a periferia, a apoiá-lo.

O problema permanece e Marcelo estará mais fragilizado nessa campanha, pois não terá o apoio do governo estadual, sua coligação será menos expressiva e ele não poderá se apresentar como a “renovação” que prometia na eleição anterior. Já virou uva chupada. Outro obstáculo: 48% dos eleitores disseram que vão votar no candidato que representar a continuidade da administração Kireeff – e Marcelo, evidentemente, não poderá atribuir-se esse mérito.

Richa

Beto Richa não deverá apoiar ostensivamente Hauly ou Orsi por causa da rejeição que o persegue desde o fatídico 29 de abril do ano passado (a “batalha do Centro Cívico”), mas a retaguarda do estado é evidentemente um aliado poderoso para o tucano que vier a disputar. A candidatura de Hauly tem a simpatia de Richa, mas deverá enfrentar resistência do tucanato londrinense, compreensivelmente temeroso de acumular mais um fracasso. Esse temor fortalece Orsi, mas Hauly tem o controle da máquina partidária. Seja quem for o candidato, o PSDB desta vez estará unido.

O barulhento

Espantosa é a popularidade do “Boca Aberta”, que se destaca por percorrer a cidade com uma caixa de som esgoelando contra Kireeff e Richa, admoesta o prefeito onde quer que ele esteja e é uma ameaça permanente ao funcionamento da Câmara de Vereadores, que invadiu algumas vezes... Se efetivar sua candidatura, fará barulho – e nada mais.

O discreto

Em contraste, a sobriedade e competência de Luciano Odebrecht (que não tem nada a ver com o personagem da Lava Jato), alimenta a esperança dele e seu grupo de que desponte como alternativa ao embate entre dois grupos historicamente rivais – Hauly e Belinati.

E o PT?

E o PT, que administrou Londrina três vezes, gestou três ministros – Paulo Bernardo, Gleisi e Gilberto Carvalho – e a Lava Jato, por meio de José Janene (seu devoto aliado), André Vargas e o doleiro Alberto Yousseff?

A popularidade de seu candidato equivale à audiência da TV Brasil – é traço. O PT londrinense móóórreu!


Acesse www.josepedriali.com.br