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Melhoria do ensino? Deixa disso: a APP quer agitação

Os professores da rede estadual de ensino, sob o comando da APP Sindicato - o mais atuante braço sindical do PT no Paraná -, iniciará greve por tempo indeterminado na semana que vem.

Pretexto número um: o recuo do governador tucano Beto Richa em relação ao acordo firmado com os servidores, que prevê reajuste de dez e tantos por cento a partir de janeiro do ano que vem.

A greve é legítima? A decisão caberá à Justiça, se acionada (e como não será?).

A greve é oportuna? Não.

Em primeiro lugar, porque o projeto que revoga os termos do acordo assinado com o funcionalismo foi retirado da pauta da Assembleia. E só voltará a tramitar – se voltar – depois de o governo expor aos servidores a situação do caixa.

O movimento perde, assim, o pretexto, tornando-se mero ato de força, o que compromete sua legitimidade. O governo promete descontar os dias parados. O impasse está configurado.

Em segundo lugar, Richa recuou em relação ao acordo não por vendeta, mas devido à situação financeira do Estado. Que, ao menos, concedeu reajuste no ano passado, paga os salários em dia e honrará o 13º.

O Paraná está com limitação de caixa, embora o estado de suas finanças seja bem mais confortável que a de outros estados – que começam a fazer os ajustes que Richa iniciou ainda no final do primeiro mandato e estão com o pires na mão à espera de ajuda do governo federal.

Se tivesse dinheiro disponível, Richa – que ambiciona disputar a presidência da República - comprometeria ainda mais sua popularidade com esse recuo?

Ocorre, porém, contudo e todavia, que a ameaça ao reajuste transformou-se na desejada bandeira para agitação política, já que a APP apresenta como motivos complementares da greve: a medida provisória da reforma do ensino médio e a proposta de emenda constitucional que estabelece um teto para os gastos públicos. Só faltou incluir um “fora, Temer” na pauta de motivos...

Ao se insurgir contra o teto de gastos, a APP incorpora explicitamente o modus operandi do PT, que, após destruir o país, quer impedir por todos os meios – seja no Congresso, seja nas ruas, seja nas escolas - a sua reconstrução. E, ao se opor à reforma do ensino médio – “tanto na forma como no conteúdo”, justifica a direção da entidade -, a APP revela que não tem interesse em proporcionar melhores condições de aprendizado aos estudantes.

Nesse caso, para que existe, então? Ah, sim, para se associar à ocupação das escolas (são mais de 200 no estado) orquestrada pelo PCdoB, o aliado de todas as horas do PT.