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Não permita que seu pai consuma a traição, Maria Victória

“Eu, assim como praticamente 90% da população brasileira, estou indignada. Represento a população paranaense que me elegeu e, como representante desta população, sou favorável ao processo de impeachment porque não há mais condições da presidente Dilma governar esse país".

O desabafo, feito na tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná, quarta-feira, é da jovem e bela Maria Victoria (PP). Merece aplauso. Pena que ela seja deputada estadual. Seu desejo não se converterá em voto no Dia D do impeachment, provavelmente 17 de abril, quando a Câmara dos Deputados se manifestará sobre o tema.

Mas Maria Victoria pode, sim, senhoras e senhores, ganhar um voto – e preciosíssimo: do seu pai, o deputado federal Ricardo Barros, a quem o PP indicou como ministro da Saúde se Dilma sobreviver (tóc-tóc-tóc) ao processo de impeachment.

Ricardo Barros

O PP concordou em votar contra o impeachment por 30 moedas personificadas em mais e$paço na Esplanada dos Ministérios. Comanda a Integração Nacional e passará a ter a Saúde, a presidência da Caixa e órgãos estratégicos – e abundantes de recursos – como o DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra a Seca).

Barros é um articulador habilidoso: fez da esposa Cida Borghetti vice-governadora, do irmão Sílvio secretário de Planejamento e da filha deputada estadual, aos 19 anos.

E quer mais, muito mais: quer fazer da esposa a sucessora do Beto Richa. Voltar ao governo do tucano, do qual foi secretário de Indústria e Comércio no primeiro mandato de Richa, faz parte dessa articulação. Agora no Planejamento, substituindo o irmão, que deve disputar a Prefeitura de Maringá. Silvio já governou a cidade e é o favorito na disputa.

Cida Borghetti

Se aceitar o ministério da Saúde, ou outro qualquer, em troca do apoio a Dilma (ele se declara indeciso em relação ao impeachment...), Barros estará jogando por terra seu projeto estadual. Pois 80% dos paranaenses defendem o impeachment de Dilma. Oitenta por cento que fatalmente se vingarão em Cida, caso ela se candidate, se o marido trair o desejo dos eleitores do seu estado, alinhando-se à president@ cada vez mais rejeitada. O mesmo porcentual é observado em Maringá e região, domicílio eleitoral dos Barros. Os maringaenses também se sentirão impelidos à (justa) vingança...

Assim, Maria Victoria, para o bem do projeto político da família e, sobretudo, do Paraná e do Brasil, não permita que seu pai, a quem você tanto deve, respeita e ama, consuma a traição.

Confiamos em você, Maria Victoria. Por favor, não nos decepcione.

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