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O grande – e derradeiro – teste de Lula

O ex-presidente Lula, réu duas vezes na Lava Jato por corrupção e lavagem de dinheiro e no STF por obstrução da Justiça, estreou ontem na campanha do petista Fernando Haddad, candidato à reeleição em São Paulo.

Também conhecido por Ruinddad ou Raddard, Haddad amarga a merecida quarta colocação no páreo. A dianteira está embolada entre a ex-petista Marta Suplicy (PMDB), o deputado federal Celso Russomano (PRB) e o neotucano João Dória Jr.

Lula percorreu a periferia da Zona Leste em cima de um caminhão, no qual Haddad embarcou com 40 minutos de atraso! Tema de Lula: desancar os adversários do petista, dizendo que eles apoiaram o “golpe” que depôs Dilma e, por isso, são aliados de Michel Temer, que assumiu a presidência com a missão de “tirar o direito dos trabalhadores”.

A tentativa de salvar a candidatura de Haddad e, portanto, manter o PT no comando da principal cidade do país, é o último esforço eleitoral de Lula – que, pelo trotar da carruagem rumo à República de Curitiba, perderá os direitos políticos no limiar de 2018 (ou antes) por causa dos processos a que responde. Por mais que ele, seus advogados e seguidores fanáticos esbravejem contra a Justiça e aleguem sua pureza ética, Lula fatalmente será condenado na Lava Jato e em outras frentes em que é investigado. Indícios e testemunhos contra ele são acachapantes.

Assim, Lula joga sua última cartada – e no momento mais delicado de sua vida pessoal e política e igualmente do PT, que é o partido mais rejeitado do país. O PT, até há pouco o partido mais poderoso, só tem chance de vencer a disputa numa capital, Rio Branco, e olha lá. Nas demais – e também nas grandes e médias cidades -, será humilhado. E tende a perder seu bastião mais emblemático, São Bernardo do Campo, berço do petismo, para um pemedebista ou para um tucano! Ambos prometem dar outra destinação ao Museu do Lula (que tem como nome oficial Museu do Trabalhador), cuja construção é financiada com dinheiro público.

Provar que ainda tem electoral appeal é uma questão de sobrevivência para Lula, que quer passar para a história como vítima das “elites”. “Elites” que, por não permitirem a ascensão social dos pobres blábláblá proporcionada pelo governo do petista, o querem alijar da vida pública de maneira desonrosa e, para isso, o acusam de “comandante máximo” da organização criminosa que saqueou o país de janeiro de 2013 a abril de 2016, mês e ano em que o Brasil depôs Dilma, a “presidenta inocenta”.

Lula acaba de fazer uma peregrinação por duas capitais nordestinas – Fortaleza e Recife – para reforçar a candidatura dos petistas. E qual foi o resultado do seu apoio a Luizianne Lins, a quem visitou no meio da semana? O Datafolha aferiu: ela, que ocupa a terceira colocação, oscilou negativamente de 16% para 15% das intenções de voto.

Que Haddad, portanto, se prepare: sua derrota, com a entrada em cena de Lula, poderá ser ainda mais amarga.

A necessidade de mostrar que está vivo poderá revelar a Lula o que milhões de brasileiros estão cansados de saber: ele está morto politicamente. Mas – e seu comportamento leva a essa conclusão - continuará acreditando em suas próprias mentiras, uma delas a de que é vítima das “elites” e não de seus erros, até o final melancólico de seus dias.

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