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O poder uniu Bernardo e Gleisi. E os destruiu

O primeiro envolvimento de Paulo Bernardo com uma ação nada republicana foi o recebimento de R$ 30 mil desviados da Prefeitura de Londrina, então sob o comando de Antônio Belinati, em 1998. Liberado por um assessor de Belinati e na forma de cheque, o dinheiro foi usado para financiar a campanha em que Bernardo tentava o terceiro mandato de deputado federal, que ele não obteve, e lhe custou uma ação penal, trancada pelo Tribunal de Justiça do Paraná.

Bernardo alegou que não tinha como saber que a origem do dinheiro era criminosa. O receptador do pagamento foi André Vargas, então um obscuro militante petista e de profissão incerta e não sabida.

Bernardo e Vargas foram unidos, e muito, até que o juiz Sérgio Moro os separou: Vargas foi condenado a dez anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro desviado da Caixa Econômica. Bernardo, denunciado à Lava Jato por intermediar a injeção de R$ 1 milhão na campanha de Gleisi desviado da Petrobras, complicou-se com a descoberta de que a contratação marota de uma empresa pelo Ministério do Planejamento, que ocasionou o desvio de R$ 100 milhões, abasteceu sua conta pessoal em pelo menos R$ 5,5 milhões, financiou atividades de Gleisi e irrigou o caixa do PT e de petistas. Foi preso hoje. E Gleisi, a “soldada do Planalto” e feroz (e na maioria das vezes ridícula) defensora de Dilma na comissão de impeachment do Senado, foi denunciada pela Procuradoria Geral ao STF por corrupção passiva no caso do dinheiro desviado da Petrobras para sua campanha.

Nascido no interior de São Paulo, Bernardo foi dirigente do Sindicato dos Bancários de Londrina e milita no PT desde sua fundação. Destacou-se nacionalmente quando participou da CPI do Orçamento e, ao não renovar o mandato, foi indicado por Lula a ocupar a Secretaria de Fazenda do Mato Grosso do Sul, governado por Zeca do PT. Ficou lá – e lá se envolveu com a Consist, a empresa que contratou para desviar recursos do Planejamento, até a vitória de Nedson Micheleti em Londrina, dois anos depois – cuja campanha ele financiou parcialmente -, e então assumiu a Fazenda, de olho na volta à Câmara dos Deputados.

Bernardo e Gleisi, nascida em Curitiba, eram casados quando se conheceram. Ele, deputado federal, ela assessora parlamentar em Brasília – condição que preservou após assumir o relacionamento com ele. Com a ida do companheiro para Campo Grande, tornou-se secretaria estadual de Administração, transferindo-se para Londrina quando Bernardo se desincompatibilizou da prefeitura local para disputar uma vaga na Câmara. Com a posse de Lula – e retorno de Bernardo ao Congresso -, Gleisi assumiu a diretoria financeira de Itaipu, que deixou para disputar um cargo público. Enquanto não obtinha o mandato – o de senadora é o primeiro -, foi secretária de comunicação do PT paranaense e sua presidente regional.

Lula nomeou Bernardo ministro do Planejamento em 2005. Bernardo permaneceu no cargo até a vitória de Dilma, quando foi transferido para a chefia das Comunicações. Algum tempo depois, Gleisi, eleita senadora, assumiria a Casa Civil. O casal atingia o ápice da glória, tendo sido saudado, em reportagem de capa da Isto é, como o “mais poderoso da República”.

A carreira política de Bernardo está encerrada. A de Gleisi está com os dias contados, pois em breve deverá ser investigada pelo STF e está sujeita de responder também como cúmplice dos desvios praticados pelo marido no Planejamento. O processo, associado à degringolada do PT, selará sua sentença de morte.

A sede de poder uniu o casal Bernardo-Gleisi e os elevou aos píncaros da fama e da riqueza. O exercício inescrupuloso do poder os lançou ao pântano da desonra e os destruiu.

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