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O PT imerge nas sombras para impedir o futuro

O Brasil vive dois períodos de tempo simultaneamente: Michel Temer articula a composição e programa do novo governo - cuja duração está a cargo do TSE por causa das dúvidas sobre a lisura da campanha de 2014 -, enquanto Dilma, Lula e o PT apegam-se à esperança, cada dia mais remota, de se manter no poder.

Humilhados na Câmara dos Deputados, o trio parada dura vê minguarem os senadores que ainda se dispõem a impedir a abertura do julgamento de Dilma por crime de responsabilidade. Uma vez aberto o julgamento, o que ocorrerá num prazo de quase um mês – tempo demais para um país em ruínas -, Dilma se afastará e Temer assumirá a presidência.

Uma vez afastada – e é Lula quem admite o óbvio – dificilmente ela votará ao cargo. E então, como anuncia o próprio Lula, ele comandará uma “campanha de resistência” ao novo presidente, cuja legitimidade, expressa na Constituição, é rejeitada por ele e pela tigrada. Lula pretende liderar o esforço para impedir a reconstrução daquilo que ele, Dilma e o PT puseram abaixo!

Período de sombras

Até a definição do Senado sobre a admissibilidade do julgamento de Dilma, viveremos nesse período de sombras, e é nesse lusco-fusco que o PT aposta as fichas para reverter o desastre iminente.

A campanha pelas “eleições já” faz parte dessa estratégia: de difícil execução, ela atende parcela significativa da opinião pública que rejeita Temer, alimenta a esperança de Lula vir a suceder Dilma (tóc-tóc-tóc) já no início do ano que vem e, de lambuja, mela o processo de impeachment – que, se consumado, será em seguida abafado por eventual eleição de Lula.

O plano é surreal em todos os sentidos, pois tem como protagonista um investigado pela Lava Jato, na iminência de ter a prisão preventiva ordenada pelo juiz federal Sérgio Moro. Decisão do STF - esperada para hoje mas adiade sine die - pode restabelecer o foro privilegiado concedido pela nomeação de Lula para a chefia da Casa Civil – nomeação suspensa e sobre a qual o tribunal se manifestará nesta quarta-feira.

As chances de Lula no STF, no entanto, são mínimas: a Procuradoria-Geral da República recomendou que a nomeação seja invalidade, pois caracteriza “desvio de finalidade”, uma vez que visava a blindá-lo do juiz federal.

Aposta nas "ruas"

O PT aposta nas "ruas” para pressionar os senadores a rejeitarem o julgamento de Dilma, mas essas “ruas” já se revelaram um fracasso retumbante. As “ruas” que o PT consegue mobilizar compõem-se de sindicalistas e ativistas sociais, financiados pelo partido, que, por sua vez, terceirizam as manifestações ao custo de sanduíches de mortadela, tubaína, transporte gratuito, kit manifestante e, ainda, uma diária!

As ruas autênticas já deram a sua cara, e várias vezes. Na última, seis milhões gritaram “fora Dilma, fora Lula, fora PT!” Nove em dez brasileiros rejeita o (des)governo Dilma.

O PT está isolado, Lula está desacreditado – como atesta o fracasso das negociações que comandou para impedir a derrota na Câmara -, Dilma, a governante que não governa, está condenada. Vencida em sua tentativa de sensibilizar os brasileiros para seus “sonhos e desejos torturados”, apela à parcela (diminuta) da imprensa estrangeira que lhe é simpática. E ensaia um discurso “contundente” na ONU para denunciar que é vítima de um “golpe”, pois, segundo ela, o processo de impeachment a que é submetida não passa de “uma fraude jurídica e política”.

Essa última acusação é uma afronta aos poderes Legislativo, que obedece à motivação e ao rito do processo, e Judiciário, que tem avalizado todas as ações do Congresso. A afronta caracteriza, isso sim, o “veio golpista” de Dilma, Lula e do PT, que ela injustamente atribuiu aos brasileiros.

Só falta Dilma pedir à ONU que envie os “capacetes azuis” para impedir a consumação do “golpe”...

Contradição e leviandade

Enquanto Dilma estiver em Nova Iorque, Michel Temer ocupará interinamente a presidência da República. Ora, que leviandade e que contradição da presidente@: entregar o poder ao “conspirador” e sair em busca de ajuda estrangeira contra o “golpe”!

Dilma, Lula e o PT são o passado. Um passado que insiste em torturar os nossos sonhos e desejos de nos livrarmos de um governo deletério e corrupto. Temer amanhã, sabe-se lá quem depois dele, não importa; importa que p Brasil anseia e precisa sonhar com o futuro.