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O último 1º de Maio com o PT no poder

A cada vez menos presidente@ Dilma foi a estrela cadente das comemorações do 1º de Maio promovidas pela CUT, a mais pelega das centrais sindicais, pois se curvou a quem deveria enfrentar: um governo corrupto e que em seu ocaso, e por causa dos erros em série que cometeu, jogou na rua da amargura 11 milhões de trabalhadores.

A presença de Dilma foi articulada por seu mentor Lula, que, no entanto, não compareceu (veja postagem abaixo). Em seu discurso monocórdio – e truncado, para não variar -, Dilma se disse, mais uma vez, vítima de um “golpe”, pois “não cometi crime”, ao qual “resistirei”.

E mostrou a dimensão de sua “resistência”: anunciar o reajuste do Bolsa Família (recusado no ano passado por causa do acirramento da crise econômica) e da tabela do Imposto de Renda. Duas medidas desaconselhadas pela Secretaria do Tesouro Nacional e que, portanto, ao serem promulgadas, acrescentam mais duas ações criminosas à já robusta folha corrida de Dilma. Pois um presidente não pode ordenar despesas sem previsão orçamentária, que é o caso das duas que autorizou hoje...

A presença da estrela cadente Dilma no 1º de Maio da pelega CUT teve grande simbolismo: é a última vez que essa data, tão cara aos trabalhadores, é comemorada tendo o PT na presidência da República. Mais alguns dias, e Dilma será afastada até que o Senado a julgue por crime de responsabilidade. O veredicto – e não é preciso ser profeta para anunciá-lo, tamanha a afronta Dilma que cometeu à Constituição e às leis e constatada por unanimidade pelo TCU – será por sua condenação.

Ali, naquele palanque, abandonada por seu tutor Lula, Dilma se despediu do poder para cujo exercício jamais esteve apta. E se despediu afrontando, mais uma vez, as leis que jurou defender e aplaudida por uma central sindical que, corrompida por recursos públicos e ideologia, traiu os interesses das categorias que representa para servir ao partido que, surgido para defender os trabalhadores, usou-os sem escrúpulos em benefício de seu projeto de poder. Poder que manteve durante 13 anos e quatro meses em cumplicidade com as elites, da qual se tornou sócio no maior esquema de corrupção da história.

O fim melancólico e merecido do desgoverno petista liquida a esperança de que o partido volte ao poder, mesmo que seu líder esteja bem avaliado em algumas pesquisas. Bem avaliado por um lado, mal por outro - não há líder com mais rejeição do que ele. E não há líder - exceto Eduardo Cunha, mas esse é carta fora do baralho - com tantas contas a prestar à Justiça do que Lula. Ele não sobreviverá - para ficar apenas numa das frentes em que é investigado - à Lava Jato.

O PT morreu. E morreu tarde.

*Acompanhe José Pedriali