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Os tempos mudaram: o PT, quem diria, agora sai em defesa da "golpista" Lava Jato!

Romero Jucá foi exonerado do Ministério do Planejamento por causa da divulgação de uma conversa telefônica com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, na qual propunha um pacto nacional para "congelar" a Operação Lava Jato.

Não vi nenhum petista protestando contra o "vazamento seletivo" da conversa - de Lula e Dilma, passando pelo advogado-geral do Dilmão José Eduardo Cardozo, tampouco Rui Falcão e muito menos qualquer petralha das redes sociais.

Também não vi nenhum petista protestando pelo grampo ter sido feito sem autorização judicial (ao que tudo indica), pois foi de autoria de Machado, que negocia acordo de delação e, portanto, usou o grampo para valorizar seu cacife. E tampouco por envolver sua excelência um senador da República!

O que vi foram petistas & afins, dizendo que o grampo confirma que Dilma foi vítima de um "golpe", que visava a calar a Lava Jato. Seria irônico não fosse uma fraude grotesca: eles, logo eles, petralhas, que tanto fizeram para sufocar a Lava Jato, conspiração que envolveu a president@ da República e seu mentor Lula, se dizem agora indignados!!!

Não há comparação entre o que disse Jucá e o que os petralhas fizeram nas redes sociais para difmar o juiz Sérgio Moro, os delatores, os investigadores, o conteúdo das delações da Lava Jato.

Não há comparação entre o que fez Dilma ao dar foro privilegiado a Lula para afastá-lo do juiz Sérgio Moro, nomeação que coroou as articulações do ex-presidente para obstruir a Justiça.

Não há comparação entre a nomeação de um ministro do STF para dar liberdade aos executivos investigados pela Lava Jato para que eles não abrissem o bico - nomeação de autoria de Dilma.

Não há comparação entre a compra de silêncio de Cerveró por Delcídio do Amaral a mando de Lula.

Não há comparação entre a gravidade dos casos citados acima com as afirmações de Jucá - afirmações graves, sem dúvida, mas naquele momento incapazes de serem postas em prática por estarem muito além de suas possibilidades como senador. Eram, em síntese, meras declarações de intenção - graves, repito, mas que admitem a atenuante de que possam ter sido feitas para agradar seu interlocutor.

"Obstrução da Justiça!", cuspiu um dos líderes petistas no Congresso, o mesmo que se arvorou na defesa da nomeação de Lula para a chefia da Casa Civil. "Por muito menos, um senador (Delcídio) foi preso e cassado", disse uma senadora do PCdoB, comparando o incomparável, já que Delcídio agiu para obstruir a Justiça comprando o silêncio de um condenado e Jucá apenas ficou no blablablá.

Mas os tempos mudaram. O PT & Cia. agora são oposição, veem o bem onde antes viam o mal e vice-versa; denunciam o que antes defendiam; exigem o que antes tentaram de todos os meios impedir; se indignam contra o que tratavam com naturalidade. Esqueceram-se todos - ou se fizeram de esquecidos - que no início da semana anterior a cúpula do PT considerou, em documento oficial, que a Lava Jato foi "crucial na escalada golpista", configurando-se "paulatinamente em instrumento político para a guerra de desgaste contra dirigentes e governantes petistas, atuando de forma cada vez mais seletiva quanto a seus alvos”.

Enquanto petralhas e cúmplices esbravejavam, nenhum membro ou simpatizante do novo governo - que para os petralhas são "golpistas" tanto quanto os que articularam o afastamento de Dilma – condenava a divulgação do telefonema e saía em defesa de Jucá. Pelo contrário, exigiam seu afastamento e aplaudiram quando ele se efetivou.

A rápida saída de cena de Jucá oferece outro contraste com o governo petsita, que se celebrizou pela defesa ardorosa de seus membros, por mais cabeludas fossem as acusações contra eles. Muitos dos quais, apesar de condenados pelo STF, são ainda considerados "guereiros do povo brasileiro".

Os tempos mudaram. E para melhor!

Acompanhe José Pedriali