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Parabéns, Gleisi: conseguiu induzir o voto de Renan contra Dilma

Até ontem mantendo-se o mais neutro possível em relação ao processo de impeachment de Dilma, o presidente do Senado Renan Calheiros desceu literalmente da tribuna para se somar ao crescente número de deputados descontentes com a atuação vergonhosa, acintosa, despudorosa, ditatorial, infame dos petistas que defendem a presidente afastada no Senado.

Numa intervenção que destoa de seu costumeiro equilíbrio ao apartar desavenças dos colegas e recompor a tranquilidade no plenário, ele acusou - lá embaixo, junto com os colegas - a petralhada de estar promovendo um "espetáculo triste" que "envergonha o Senado e a nação", cobrou mais firmeza do condutor do processo Ricardo Lewandowski, comparou o julgamento a um "hospício" e disparou contra Gleisi, que na véspera insultara o Senado ao afirmar, gritando, que ali "ninguém tem moral para julgar a presidenta Dilma". "Foi o cúmulo!", protestou Renan.

E mais: Renan revelou que, a pedido de Gleisi, interferira no STF para livrar a barra dela e do companheiro Paulo Bernardo. O ex-ministro é réu em processo de corrupção que respinga na senadora.

Traduzindo para o bom português: Renan chutou o pau da barraca e ultrapassou o ponto de não retorno. A partir desse ponto, e para manter a coerência, ele votará pelo afastamento definitivo de Dilma.

Com amigos como Gleisi, Dilma não precisa de inimigos.

Obrigado, nobre senadora, por esse favor que faz ao país.

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