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PT pede socorro à OEA. E torna sua imagem ainda mais caricata

Lula recorreu à ONU contra o juiz Sergio Moro, acusando de “parcialidade”. Diz-se vítima de uma “perseguição”, da qual participa também o Ministério Público.

O que obterá com isso? Na melhor das hipóteses, uma manifestação de solidariedade.

Dilma recorreu ao papa para que ele se manifestasse publicamente contra o impeachment.

O que conseguiu com isso? O pontífice escreveu-lhe para dizer que ela está presente em suas orações. O teor da carta foi tão neutro que a madame preferiu escamoteá-la.

Deputados do PT recorrem à Comissão Interamericana de Direitos Humanos para pedir intervenção desse organismo vinculado à OEA contra o “golpe parlamentar”, a suspensão do processo de impeachment e a recondução “imediata” de Dilma ao poder.

O que ganharão com isso?

Antes, uma informação: o presidente da OEA, o uruguaio Luis Almagro Lemes, é da turma do Mujica – um bolivariano, portanto. O brasileiro que compõe a Comissão Interamericana é o diplomata Paulo Sergio Pinheiro, um esquerdista desde criancinha que chefiou, por indicação de Dilma, a Comissão da Verdade – e a única “verdade” que encontrou foi nos crimes praticados pela direita, ignorando solenemente os de movimentos de esquerda. E o presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos, instância superior à comissão homônima, é o petista Roberto Caldas.

Conhecida a tendência ideológica desses personagens-chave, não será de se estranhar que essas instâncias, que se omitem vergonhosamente em relação à truculência política do venezuelano Nicolás Maduro, se declarem favoravelmente ao pleito petista.

E daí?

Daí que o chororô servirá apenas para o PT entoar com mais força sua tese do “golpe”, pois organismo internacional nenhum tem ascendência sobre o sistema jurídico e político brasileiro. Que, aliás, conduz o processo de impeachment como estabelecem a lei e o rito.

Ao recorrer à OEA, o PT, assim como seu mentor Lula fez ao apelar à ONU e Lula ao papa, agride as instituições nacionais, que tentou submeter por meio do suborno e aparelhamento.

O pedido de socorro à OEA está, no entanto, ameaçado. E ameaçado por quem o PT tenta salvar para salvar a si próprio: para não causar efeito contrário junto aos senadores, para os quais redige - há semanas, e com o auxílio de dezenas de pessoas - uma carta com a intenção de impedir seu afastamento definitivo, Dilma deverá omitir o termo "golpe" . Ora, se isso vier a acontecer, ela estará desmentindo a própria companheirada.

O PT preferiu recorrer ao surrealismo para preservar o que resta de sua imagem. E a está tornando cada vez mais caricata.

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