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Que tédio! Como superar a ausência dos ParlapaTetas?

Talvez revendo os vídeos, que registram, na interpretação de Narizinho, Narigão e Bobão e do fiel escudeiro dos três, Rolando Lero, as cenas mais patéticas, grosseiras, cínicas, aviltantes, escalafobéticas – e enervantes - do Congresso brasileiro dos últimos anos.

O comportamento do quarteto tem tudo para inspirar uma série televisiva, mas será difícil que a ficção retrate a realidade. Um gênio como Dias Gomes, criador do antológico Odorico Paraguaçu, sofreria para adaptar à ficção o desempenho desses personagens, suas piruetas retóricas, a arrogância, as molecagens, a má fé, a falta de educação – e a ignorância.

Os ParlapaTetas Gleisi Hoffmann (Narizinho), Vanessa Grazziotin (Narigão), Lindbergh Farias (Bobão) e o advogado-geral da Dilma pago pela União José Eduardo Cardozo (Rolando Lero) protagonizaram nas sessões da comissão especial de impeachment do Senado o que de mais sórdido, depois da corrupção, um agente público pode fazer, que é deturpar a realidade, sabotar o trabalho do Legislativo, tentar impor à opinião pública sua visão estrábica dos fatos e agredir os colegas – para ficar nas ações mais recorrentes. E isso não apenas para “salvar” Dilma do “golpe”, mas para gravar um documentário no qual são os protagonistas...

O quarteto foi coadjuvado por Fátima Bezerra – sobrenome que não condiz com seu porte e comportamento - e Humberto Costa, cuja voz e aspecto fisionômico inspiraram os executivos da Odebrecht a apelidarem-no de “Drácula”.

As sessões da comissão do impeachment foram suspensas, após a defesa de Dilma lida por seu advogado – que repetiu o realejo de sempre –, para que acusação e defesa apresentem as considerações finais e o relator formule seu parecer.

Até lá, sentirei falta das lições de história e economia do Bobão, que nos ensinou que o vice que assume o lugar do titular é “biônico” e que o general Pinochet implantou o neoliberalismo na China. Sentirei falta dos ataques de nervos, das carteiradas, das poses, do sotaque café-com-leite de Narizinho. Do permanente sorriso sarcástico, da voz metálica, do indicador esguio sempre em riste de Narigão. Das “questões de orem”, dos “pela ordem” a que os três apelaram sem escrúpulo. E, acima de tudo, dos malabarismos oratórios do fiel discípulo do grande Tomás Turbando.

Reverei os vídeos. Sou mesmo masoquista!

(Que título mereceria o documentário que estão produzindo? Sugiro uma combinação das comédias de Jim Carrey com os dramalhões de Christopher Lee, e disso resultaria "Os Draculoides!)

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