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“República de Londrina”, berço da Lava Jato: só escapou da prisão quem morreu

Paulo Bernardo é o quarto membro da “República de Londrina” a se dar mal com a Justiça. A “República de Londrina” consolidou-se durante a administração do petista Nedson Micheleti (2001-2008). Bernardo – secretário da Fazenda - e André Vargas – vereador - associaram-se ao deputado federal José Janene (PP), que, por sua vez, tinha como operador de suas “receitas não contabilizadas” o doleiro Alberto Yousseff.

Yousseff consta como doador de campanha de Vargas, foi seu sócio na maracutaia do Labogen – laboratório fantasma contratado pelo Ministério da Saúde - e veio a ser usado para irrigar, com recursos desviados da Petrobras, a campanha de Gleisi Hoffmann, companheira de Bernardo, ao Senado, em 2010.

Bernardo assumiu a Fazenda em Londrina vindo de Campo Grande, onde ocupou, por indicação de Lula, cargo semelhante no governo de Zeca do PT. Fora deputado federal duas vezes, projetando-se nacionalmente como membro da CPI do Orçamento, e recuperou o mandato em 2002, quando seu padrinho elegeu-se presidente da República. Foi ministro do Planejamento da segunda metade do primeiro mandato de Lula até o final do segundo e de Comunicações de Dilma no primeiro mandato dela.

Vargas foi vereador dois anos, elegendo-se deputado estadual e em seguida federal. Ganhou, quando presidente da CPI do Pedágio do Paraná, o apelido de Bocão – antiga bandeira de seu partido, a CPI concluiu, em prazo recorde, que estava tudo em ordem com os contratos de pedágio. Vargas presidiu o PT do Paraná, foi secretário nacional de comunicação do partido e vice-presidente da Câmara dos Deputados.

José Janene, enrolado em dezenas de inquéritos durante a administração de Antônio Belinati (1996-2000), cassado por corrupção – Janene tinha feudos na Prefeitura e forte influência na Câmara de Vereadores -, estreitou os laços com os petistas no governo de Micheleti e levou para Brasília seu know-how corruptivo, pressionando Lula a nomear Paulo Roberto Costa para a Diretoria de Abastecimento da Petrobras. E apresentou o publicitário Marcos Valério aos petistas. Foi, portanto, o “padrinho” do mensalão e do petrolão.

O doleiro Yousseff ficou famoso durante a CPI do Banestado: era o principal operador de desvio de dinheiro para sucursais do banco em Assunção e Nova Iorque por meio de “laranjas”. Fez acordo de delação, saiu, e aprimorou seus dotes delitivos, transformando-se no principal operador do petrolão.

Destino

A nomeação de Bernardo para comandar Itaipu Binacional estava na mesa de Dilma para ser assinada quando ele se enroscou na Lava Jato. A nomeação foi suspensa.

Bernardo foi preso hoje, suspeito de participar do desvio de R$ 100 milhões do Ministério do Planejamento. Foi denunciado pela Procurador-Geral por participar do desvio de R$ 1 milhão da Petrobras para irrigar a campanha de sua companheira Gleisi Hoffmann ao Senado.

Vargas renunciou ao mandato em decorrência da publicidade de seu envolvimento com Yousseff e cumpre pena de 14 anos de prisão em Pinhais, Paraná, por corrupção e lavagem de dinheiro. Foi o primeiro político condenado pela Lava Jato. Ele recebeu recursos desviados da Caixa Econômica por meio de agências de publicidade.

Yousseff está preso em Curitiba por tudo quanto é crime de colarinho branco: corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro, etc. Fez delação premiada e deverá ser transferido em breve para prisão domiciliar.

Janene foi o único que escapou do juiz Sérgio Moro, mas teve de enfrentar Alá: misericordioso com os fiéis, implacável com os demais! Janene era muçulmano e morreu em 2010.

Periféricos

Dois outros petistas ilustres – e enroscados com a Justiça – têm origem ou passaram por Londrina:

Gilberto Carvalho, ex-braço direito de Celso Daniel, o prefeito de Santo André assassinado em 2001, e de Lula, ao qual serviu nos dois mandatos como chefe de gabinete. Nasceu em Londrina, mas saiu da cidade adolescente. Foi denunciado por corrupção no governo de Daniel e é investigado na Operação Zelotes, que descobriu um esquema de fraude no Conselho Administrativo da Receita Federal.

Gleisi Hoffmann, curitibana, foi secretária de Administração por um ano, na administração Micheleti, voltando para Curitiba quando o companheiro se elegeu deputado federal. Foi diretora financeira de Itaipu no início do governo Lula, elegeu-se senadora em 2010, chefiou a Casa Civil e é considerada no Senado a “soldada do Planalto”. Foi denunciada ao STF pela Procuradoria-Geral por receber dinheiro desviado da Petrobras e a Polícia Federal descobriu que dinheiro desviado do Planejamento cobriu suas despesas pessoais.

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