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Requião e Lula articulam volta de Dilma em troca de eleições

O senador paranaense Roberto Requião reuniu 24 senadores ontem à noite, em sua residência em Brasília - três a mais (contando com ele, é claro) dos que votaram contra o julgamento de Dilma por crime de responsabilidade, no mês passado.

A pauta do regabofe foi devolver Dilma ao poder em troca da antecipação das eleições. (Espero que o cardápio não tenha incluído mamona...) Requião afronta, assim, o presidente em exercício Michel Temer, peemedebista como ele.

O ex-presidente Lula, que se reuniu à tarde , sem que a imprensa fosse informada com antecedência, com sua pupila na Masmorra da Alvorada, foi convidado, mas não compareceu.

Ele defende a estratégia, mas confidenciou que Dilma não está convencida, pois, caso volte ao poder, acha que se consolidará e terá (ela continua surtando) condições de levar seu mandato até o final.

Lula quer conquistar o apoio de Renan Calheiros para a jogada, aproveitando-se da vulnerabilidade dele no momento, pois o presidente do Senado é um dos que tiveram o pedido de prisão encaminhado ao STF pelo procurador Rodrigo Janot.

Renan é contra devolver Dilma ao poder, mas a precariedade de sua situação jurídica e seu azedume permanente com o presidente em exercício Michel Temer podem fazê-lo mudar de ideia. E é isso que Lula vai tentar no encontro que agendou com o senador.

A devolução do mandato de Dilma em troca da antecipação das eleições contém uma dificuldade política, outra jurídica e, a mais grave de todas, se ampara no cumprimento do acordo, coisa que a president@ afastada deu demonstrações de sobra ser incapaz de fazer.

A dificuldade política é obter o apoio do Congresso, hoje majoritariamente a favor de Temer. E a legislação prevê que toda mudança nas regras eleitorais só pode vigorar no ano seguinte.

O calendário, portanto, conspira contra os conspiradores (a redundância é proposital), pois se Dilma voltar ao Planalto (tóc-tóc-tóc), isso ocorrerá em agosto e dificilmente ela conseguirá, caso se decida por cumprir o acordo, a mudança antes do final do ano – se conseguir!

Se a mudança for aprovada no ano que vem, a eleição será somente em 2018 – e, assim, o máximo que se conseguirá será tirar alguns meses do mandato de Dilma.

O Brasil resistirá até lá?

Em tempo: para reverter o impeachment de Dilma são necessários 27 votos.

Acompanhe José Pedriali