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Restaurante tradicional de Curitiba expulsa Lula

O maior, mais conhecido e tradicional restaurante do Paraná – o Madalosso, de Curitiba – expulsou o ex-presidente Lula de suas paredes recobertas de fotos de visitantes ilustres. E colocou no lugar a foto do juiz federal Sérgio Moro. A informação é de Reinaldo Bessa, da Gazeta do Povo.

Para os petralhas, profanação suprema, golpe dos golpes, injúria das injúrias, a prova final de que, além de bancos, “imprensa golpista e setores de direita do Judiciário, Polícia Federal e Ministério Público”, até os restaurantes conspiraram para depor Dilma, a “honesta” para, assim, “evitar a volta triunfal de Lula em 2018”.

Para a História, um símbolo a vitória da verdade sobre a mentira, da justiça sobre a impunidade.

A “República de Curitiba”, como Lula denominou a sede da Operação Lava Jato, continua firme e forte, mostrando que o Brasil despertou para a fraude encarnada por Lula e o PT e quer sepultá-la, o quanto antes.

Delação premiada: ótima, mas pode - e deve - melhorar

Regulamentada pela presidente afastada Dilma em 2013, no bojo da Lei Anticorrupção, a colaboração premiada – vulgo delação premiada – revela-se um eficiente aliado da Justiça. Graças aos 52 acordos de delação fechados até a semana passada, a Lava Jato chegou aonde chegou.

Sua eficiência demonstrou que o PT, o governo petista e o líder de ambos, Lula, comportavam-se como organização criminosa. O partido se insurgiu contra essa prática, a ponto de o deputado Wadih Damous apresentar projeto de lei proibindo a delação de quem já estiver preso. E a “soldada do Planalto” no Senado, Gleisi Hoffmann, propôs a penalização dos “vazamentos”.

Depois de ferir de morte Lula, Dilma e o PT, as delações avariaram severamente a cúpula do PMDB e respingou no presidente em exercício Michel Temer. O delator é Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, indicado para o cargo pelos oligarcas pemedebista. O PT não protestou pelo “vazamento seletivo” da delação, tampouco rotulou de “golpistas” a Globo, demais emissoras de tevê e rádio, revistas e jornais que deram ampla cobertura ao caso.

A delação tem de ser preservada. Mas há abusos, e esses devem ser contidos. E os responsáveis, punidos.

O Ministério Público pediu ao juiz Sérgio Moro que revisse a delação de Fernando Soares, o Fernando Baiano, ex-lobista que tinha entre seus clientes José Dirceu. Ele mentiu. Corre, portanto, o risco de perder os benefícios da delação.

Sérgio Machado, o delator do momento, apelou para esse recurso antes mesmo de ser denunciado – um de seus filhos havia sido intimado para depor, e o sinal de alarme soou na família. Outro filho de Machado está envolvido nas maracutaias do pai. E, então, Machado disparou sua metralhadora giratória, a partir da gravação de conversas com os amigos que o indicaram e sustentaram no cargo. Abalou a república.

Há conflitos evidentes em sua delação, que, além disso, não é acompanhada – pelo menos até o momento – de provas materiais. Os Machado se dispuseram a “devolver” 75 milhões de reais escondidos em contas no exterior, os filhos se livraram da investigação e o papai, que nem julgado será, ficará três anos confinado numa mansão em Fortaleza. Depois, viva a liberdade!

Temos no Paraná o caso do auditor Luiz Antonio de Souza, que, flagrado com uma menina num motel, denunciou a existência de uma “organização criminosa” na Receita Estadual que, segundo ele, era liderada por um parente do governador Beto Richa que, por sua vez, teve a campanha da reeleição abastecida por dinheiro obtido por essa “organização”.

Souza se servia de uma rede de exploração sexual de menores, cometeu estupro de vulnerável, sua fortuna era incompatível com os vencimentos como auditor. Foi indiciado por crimes sexuais, corrupção, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro – estava condenado à prisão perpétua e, então, apelou para delação. Mas fantasiou demais, não conseguindo comprovar a existência da tal “organização”, nem a “liderança” do parente do governador, tampouco o caixa dois eleitoral. Mas sua delação foi anulada por outro motivo: segundo o Ministério Público (denúncia acatada pela Justiça), depois de assinado o acordo e na prisão – onde está desde que flagrado no motel – Souza extorquiu empresários para não delatá-los. E isso com a ajuda de seu advogado, Eduardo Duarte Ferreira, indiciado por extorsão, falsidade ideológica e organização criminosa.

A delação de Souza foi anulada, ele perde os benefícios – iria para casa no final deste mês. A de Machado aguarda confirmação e, enquanto isso, os acusados terão que saracotear enquanto ele curte o dolce far niente em sua mansão. O que ocorrerá se essa confirmação não acontecer?

Agravar a pena do delator em situações assim é o mínimo que se pode esperar. Para o bem da Justiça e do próprio instrumento da colaboração premiada.

*Acesse www.josepedriali.com.br