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Temer demite jornalista que Dilma nomeou para sabotar seu governo

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) é uma das poucas entidades que não se deixaram aparelhar pelo PT: já era petista antes de Lula chegar à presidência. Desde então, tornou-se uma das mais ardorosas defensoras de tudo o que o PT propôs, o que inclui o Conselho Nacional de Jornalismo e a regulamentação da imprensa.

Fiel ao seu alinhamento ideológico, combateu tudo o que se opunha ao PT – e fez vistas grossas às agressões a que muitos jornalistas foram vítimas por criticarem o partido. Ou simplesmente por trabalharem por uma empresa que o PT considera inimiga (inimigos do PT são todos os que apontam suas feridas). Quando Dilma Rousseff descia a rampa do Planalto e do poder, dois repórteres da Globo – um deles mulher e negra – foram agredidos pela claque arregimentada pelo partido para aplaudir a presidente@ defenestrada. E a Fenaj? Boca de siri!

Muito bem. A Fenaj se insurge agora contra a demissão de Ricardo Mello, nomeado presidente da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) uma semana antes de Dilma ser afastada do cargo. Ela já era diretor de conteúdo da empresa, empresa que se tornou, após a saída de Eugenio Bucci – jornalista sério e competente -, mero instrumento de propaganda do PT. E paga com dinheiro público.

A função do presidente tem prazo definido – quatro anos – mas não estabilidade. Seu ocupante pode ser demitido em duas circunstâncias: por falta grave ou por decisão do Conselho de Curadores da EBC.

Por que Dilma teria aprontado mais essa com seu sucessor? Para sabotá-lo! Para que a chefia da comunicação institucional do governo Temer estivesse em poder de um adversário de Temer! A presença de Mello no governo Temer equivaleria ao cavalo que os gregos infiltrarem em Troia...

Mello é um petista originário do trotkismo que, quando colunista da Folha de S. Paulo, usava e abusava do espaço que o jornal lhe concedia para desancar, com a ira característica dos fanáticos, os opositores do partido. E, com a cegueira também característica dos fanáticos, enaltecer tudo o que o partido e o seu governo faziam.

Mello usou a EBC para manifestar sua contrariedade com o afastamento – fato inédito em qualquer empresa, pois não se admite que um ex-funcionário se aproprie de instrumentos da empresa para expor sua contrariedade. Fato que constitui falta grave e dará o argumento prático para o Conselho Curador referendar a decisão de Temer.

Acompanhe José Pedriali