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Temer, o “golpista”: afinal, o que ele fez de errado?

A divulgação do discurso de posse do vice-presidente Michel Temer para a eventualidade (crescente e se aproximando) de Dilma ser afastada para se submeter a julgamento no Senado causou enorme frisson nos meios políticos. E está sendo usado pelo PT para reforçar a tese de que é vítima de um “golpe”.

O argumento foi utilizado hoje por Dilma em mais um comício no salão nobre do Planalto (isso é legal?). A cada vez menos presidente@ juntou Temer e Eduardo Cunha num pacote só, rotulando-os de “chefe e vice-chefe do golpe”. (Vice-chefe? O certo é subchefe...)

Mas, afinal, o que Temer fez de errado?

A divulgação do teor do seu discurso, atribuída a uma falha operacional (há quem discorde dessa tese, considerando que foi proposital), caracteriza uma gafe (ou uma manobra publicitária?). E não uma insurgência, um levante, um motim, uma conspiração (ufa!). Seu partido, afinal, de aliado primordial do governo Dilma passou a opositor mais temido pela quantidade de votos que possui no Congresso, astúcia, malícia e capacidade de articulação de seus líderes. A ruptura, portanto, já aconteceu. E é pública e notória. O vice, portanto, é um desafeto de Dilma e a ele compete o papel institucional de substituí-la em caso de impedimento.

O discurso em gestação revelou apenas um vice-presidente preparado para a eventualidade de assumir o comando do país. Chama à união nacional e propõe medidas concretas – todas sensatas e de eficácia comprovada. Acena para o mercado com a proposta de retomada das privatizações (o que o PT abjura, pois quer as estatais para financiar suas atividades e enriquecer seus líderes) e para o eleitorado cativo, embora decrescente, do PT, ao se comprometer a preservar os programas sociais.

O que, afinal, poderia fazer alguém na condição dele às vésperas do provável afastamento do titular do cargo?

A esta altura do campeonato do impeachment, Dilma já deve ter encarregado seus ghost writter de preparar dois discursos. Um para o caso de ela sair vitoriosa na eleição de domingo. Outro, no caso de ser derrotada.

Com ou sem ordem da madame, certamente seus auxiliares – esses “golpistas”! - já estão burilando os textos. Do contrário, estarão prevaricando de suas funções...

Acompanhe José Pedriali