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Temer veste um “santo” (o funcionalismo) e desveste outro (o contribuinte)

O presidente em exercício Michel Temer obteve sua segunda vitória no Congresso nesta madrugada, que foi a aprovação do reajuste salarial dos servidores federais, represado por Dilma por falta de grana.

O reajuste será de 21,5%, escalonado nos próximos quatro anos. Custará aos cofres da União pelo menos R$ 56 bilhões. O efeito cascata, que impõe o reajuste automático aos servidores de outros esferas, não pode ser estimado, por enquanto.

A aprovação – que depende de sanção do Senado e é tida como certa – mostra o poder de articulação de Temer em contraponto com sua antecessora, agrada o funcionalismo – e isso inclui o MP e o STF -, mas deixa perplexa a opinião pública. E afronta a vitória anterior do presidente em exercício, que foi a aprovação do déficit de R$ 170 bilhões previsto para este ano ao Orçamento.

Temer iniciou o governo reduzindo o número de ministérios, prometendo cortar cargos comissionados e impor um limite aos gastos federais. E avisou: fará um ajuste fiscal duro, que prevê, entre outras medidas, a suspensão ou redução dos direitos trabalhistas.

Confrontando esse aumento salarial com a penúria fiscal do governo, o péssimo estado da economia, a carestia, o desemprego, etc., é claro que a opinião pública está torcendo o nariz para o presidente em exercício.

Que, afinal, vestiu um “santo” – o funcionalismo – para desvestir ainda mais o outro “santo”, o contribuinte. Que, no final das contas, é quem pagará a fatura do reajuste.

Sua iniciativa desarma, por ora, a bomba-relógio do funcionalismo – que está insatisfeito (como sempre) com os rendimentos e poderia constituir mais uma frente de oposição ao seu governo. Mas pode ter armado outra – a rebelião popular -, que, se explodir, será letal.

Acompanhe José Pedriali