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Teori dá a largada na corrida entre Lula e Moro. As chances de Lula são ínfimas...

O ministro Teori Zavascki remeteu ontem ao juiz Sérgio Moro três processos contra Lula, manteve dois em seu poder – referentes a obstrução de Justiça e envolvendo Dilma – e anulou a gravação que comprova que a nomeação do ex-presidente para a chefia da Casa Civil foi para lhe dar foro privilegiado.

A gravação foi anulada porque feita após ordem de Moro para suspender todos os grampos a que o ex-presidente era submetido, que, naquela altura, já tinha sido nomeado para a função. Mas Teori deixou a porta entreaberta para recurso de sua decisão.

Isso é o de menos. O de mais é que agora, e de uma vez por todas, aconteceu o que Lula, Dilma e o PT mais temiam: ele fica sob a jurisdição do rigoroso juiz que presidente a Lava Jato.

Rigoroso e justo – pois justiça é a aplicação da lei na proporção do delito. Até o momento, 97% das decisões de Moro foram referendadas pelas instâncias superiores. As vencidas são miudezas.

A decisão de Teori dá a largada à corrida entre o ex-presidente, que precisa, a todo custo, evitar o desfecho mais que previsível dos processos a que responde - a prisão -, e o juiz, que tem elementos mais que suficientes para determiná-la. A começar por um pedido formulado pelo Ministério Público de São Paulo, que investigou a falcatrua promovida pelo PT por meio da Bancoop, cooperativa habitacional que fundou e faliu após saquear – mais ou menos como fez com o Brasil, só que, no caso do país, em dimensões bíblicas. A investigação comprovou que Lula e sua esposa Marisa, que haviam comprado um apartamento de frente para o mar no Guarujá, receberam da empreiteira que herdou a obra um tríplex mobiliado e dotado de elevador interno. O MP pede a prisão de Lula por estelionato, falsidade ideológica e corrupção.

Esse é um dos processos, que se imbrica com os outros dois, estes incorporados à Lava Jato: a suspeita de que Lula recebeu propina das empreiteiras envolvidas no PeTrolão por meio de sua empresa de “palestras” e lavou dinheiro com o tríplex do Guarujá e com o sítio em Atibaia, que ele nega (assim como ao apartamento) ser dele - apesar de ele e sua família serem usuários contumazes do imóvel, raramente frequentado pelos titulares da propriedade.

Lula está envolvido em mais duas ações movidas pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal. A primeira (Operação Janus) investiga se ele praticou tráfico de influência após deixar a presidência em benefício das empreiteiras do PeTrolão, com destaque para a Odebrecht, utilizando de sua influência junto ao BNDES. A outra (Operação Zelotes) investiga a razão dos milhões de reais que seu filho caçula Luís Claudio recebeu de um escritório de advocacia que atendia a interesses de montadoras, beneficiadas por medidas provisórias assinadas por Lula e renovadas por Dilma. A PF suspeita que Luís Claudio seja “laranja” do papai.

É uma corrida cheia de obstáculos e armadilhas para Lula, que, para retardar seu desfecho – a prisão - precisa recuperar o foro privilegiado. E isso somente será possível se Dilma voltar ao exercício da presidência, situação que está se configurando cada dia mais remota.

Suas chances são, portanto, ínfimas. Tanto no objetivo quanto no prazo, pois o processo de impeachment tem o desfecho previsto para agosto, se não houver contratempos. Dois meses, portanto, é o prazo teórico que lhe resta. Prazo muito curto diante do estágio avançado das investigações, tanto as que voltaram à jurisdição de Moro quanto as que estão com o MPF e a PF. Além do mais, há um pedido de prisão pendente...

Basta, portanto, uma canetada de Moro e... lá vai o Lula fazer companhia ao Dirceu e ao Vaccari. E também ao Bocão, apelido do ex-deputado André Vargas, que completa a tríade de petistas ilustres confinados na gélida Pinhais. Vaccari e Vargas estão negociando acordo de delação premiada e Dirceu, ao que tudo indica, está pensando seriamente no assunto.

Quem sabe Lula os convença a ficar em silêncio. Ou, em troca da redução da pena, delate-os primeiro...

Avante, companheiros, que a luta continua!

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