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Teori exorciza o espírito petralha que baixou em Janot

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a prisão cautelar de figurões do PMDB por “conspirarem” contra a Lava Jato. O pedido se dirigia ao presidente do Senado, Renan Calheiros, ao vice, Romero Jucá, e ao ex-presidente José Sarney, brindado com a gentileza de mero uso de tornozeleira por causa de sua idade provecta.

O pedido abalou a República, fragilizou momentaneamente o processo de impeachment da presidente@ afastada Dilma Rousseff e maculou o presidente em exercício Michel Temer como eixo de um golpe que visava a silenciar a operação que desvendou o maior esquema de corrupção da história brasileira.

Os petralhas tiveram osgasmos coletivos e múltiplos! O pedido de Janot – baseado em grampos telefônicos feitos pelo ex-presidente da Transpetro Sergio Machado – confirmava, assim, a tese (ou “narrativa” na versão moderna do termo) de que Dilma, “a honesta”, fora apeada do poder por um bando de corruptos que queriam evitar que a Lava Jato chegasse a eles. E esse bando era composto por peemedebistas e tucanos, os mesmos indicados por Janot na ação!

(Sim, Janot incluiu os tucanos na trama como coadjuvantes. Confira )

O ministro do STF Teori Zavascki sepultou o pedido e a tese de Janot, que, segundo ele, apontava para uma conspiração sem, no entanto, apresentar uma prova sequer de que os denunciados fossem capazes de levar adiante a intenção captada nos grampos.

Janot sai humilhado do episódio por dois motivos. O primeiro, por incorporar o espírito petista do “golpe” e psicografar seus argumentos numa ação jurídica sem base factual.

Segundo, por pedir a prisão dos pemedebistas amparando-se em conversas telefônicas e se omitindo em relação a Lula, Dilma, ministros e parlamentares petistas e advogados a serviço deles, flagrados não apenas se queixando da Lava Jato – mas agindo para desqualificá-la e aos investigadores e ao juiz Sergio Moro, trocando o ministro da Justiça para que ele interviesse na Polícia Federal e blindando o ex-presidente, com sua nomeação para a Casa Civil, para lhe dar foro privilegiado.

Diz Janot na acusação que o objetivo dos conspiradores, com a “solução Michel” (a posse do vice na presidência) era "construir uma ampla base de apoio político para conseguir, pelo menos, aprovar três medidas de alteração do ordenamento jurídico em favor da organização criminosa": a proibição de acordos de colaboração premiada com investigados ou réus presos; a proibição de execução provisória da sentença penal e a alteração do regramento dos acordos de leniência.

Ora, o que ele disse ser o objetivo dos “conspiradores” foi justamente o que Dilma, Lula e o PT fizeram: são de autoria do deputado petista Wadih Damous duas das “três medidas de alteração do ordenamento jurídico em favor da organização criminosa” e a terceira, da presidenta Dilma, que editou no final do ano passado MP abrandando as exigências dos acordos de leniência.

Por que Janot não mandou prender os petralhas que agiram ostensivamente contra a Lava Jato?

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