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Ué, ministro, não vai demitir quem vazou a planilha da Odebrecht?

Eugênio Aragão, novo ministro da Justiça – aquele que Lula chamou de “nosso amigo” em telefonema grampeado –, afirmou, logo após tomar posse, que trocaria “toda a equipe” da PF “suspeita” de ter feito vazamentos da Lava Jato. Bastaria, para isso, apenas o “cheiro” de vazamentos. 

Pois é. Tornou-se pública no final da tarde de ontem a planilha da Odebrecht sobre, ao que parece, doações eleitorais a mais de duas dezenas de políticos de mais de 30 partidos.

A relação inclui vários paranaenses.

Isso é prova de ilegalidade?

De forma alguma. A planilha deve ser analisada com cautela. As doações (ao que tudo indica foram doações e não propina) podem ou não ter sido declaradas. No segundo caso, é crime eleitoral e de difícil punição, já que as contas dos candidatos foram homologadas pelos tribunais competentes.

Essa é outra história. O que houve com a divulgação da planilha não foi apenas “cheiro” de vazamento: foi vazamento mesmo!

Mas, para o ministro, não importa quem tenha vazado informação que impõe uma cortina de fumaça temporária sobre as investigações da Lava Jato e favorece o PT. Que pode alegar – como sempre alega – que “os outros” também são sujos e, portanto, têm de ser investigados e punidos com o mesmo rigor.

Não é de se estranhar que o “nosso amigo” tenha ficado caladinho.

(O juiz Sérgio Moro impôs sigilo da planilha por envolver políticos com foro privilegiado, mas só depois de ela ter sido vazada. Tarde demais, portanto)

Acompanhe José Pedriali