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Uma semana reveladora: a fraqueza de Temer

A primeira semana de governo Temer marcou uma série de bate-cabeças entre seus ministros, que desmentiam hoje o que haviam afirmado ontem, mas a revelação mais preocupante é de que o presidente interino é incapaz de enfrentar a pressão.

Foi o que se viu com os protestos contra a fusão do Ministério da Cultura com o da Educação: artistas e militantes petistas se alvoroçaram em todo o país e promoveram uma manifestação canhestra em Cannes, o que bastou para Temer voltar atrás.

A economia representada pela fusão dos dois ministérios era, de fato, ínfima, mas simbolizava, assim como a extinção ou incorporação de outras pastas, a austeridade que seu governo pretendia adotar nos gastos públicos.

Temer agradou artistas e militantes, mas desagradou a maioria dos brasileiros, que anseiam pela contenção dos gastos. E ainda deu um tiro no pé: os protestos contra a fusão do ministério tendem a cessar, mas esses artistas e militantes que se insurgiram não lhe darão trégua. No primeiro caso, continuará mamando nas tetas generosas da Cultura e se opondo ao seu governo.

Valeu a pena?

E a mensagem que Temer transmite ao país é pressaga: quando chegar a hora das difíceis reformas da previdência e trabalhista – esta também inevitável -, ele terá força para se opor aos partidos de oposição, centrais sindicais e os tais “movimentos sociais” que não o pouparão?

Militantes do MTST estão acampados desde ontem nas proximidades da casa de Temer em São Paulo. E afirmam: só sairão de lá quando ele rever a determinação de anular o contrato assinado por Dilma nos estertores de seu desgoverno com esse movimento e o MST para o financiamento de casas populares – o tal Minha Casa, Minha Vida Entidades, uma malandragem sim fim, pois se repassava aos movimentos sociais dinheiro para a construção de casas destinadas exclusivamente a seus militantes. Dinheiro em parte desviado para financiar as manifestações desses movimentos em favor do desgoverno Dilma.

Fez bem, portanto, o governo Temer em estancar mais essa sangria, mais essa irresponsabilidade, mais esse crime de Dilma. Mas ele resistirá à pressão?

Pelo sim, pelo não

Eis a questão:

Temer é machão

Ou um covardão?


Acompanhe José Pedriali