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Acuado, Renan tenta se aproximar de Temer para fugir da Lava Jato

Se o conteúdo da delação premiada do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, caiu como uma bomba no Palácio do Planalto, pela citação do nome do presidente interino Michel Temer (PMDB), no Senado Federal caiu como um hecatombe.

É de conhecimento público que Machado era homem de confiança do senador Renan Calheiros (PMDB). Uma prova disso é que o senador foi o mais "agraciado" com o repasse de propinas descrita pelo ex-presidente da Transpetro na delação. Renan teria embolsado, ainda segundo Machado, mais de R$ 30 milhões em propina. 

Diz uma fonte do Congresso Nacional, que o temor de Renan está justamente nesta proximidade com Sérgio Machado -- proximidade esta que lhe rendeu mais de R$ 30 milhões em propina. O que sempre pareceu um negócio benéfico ao presidente do Senado agora será, possivelmente, diz a fonte, o motivo de desgraça do peemedebista. 

Um indício que Sérgio Machado não poupou o ex-aliado é a gravação que ele fez com o próprio Renan. Na conversa, o senador se mostra bastante irritado com os desdobramentos da operação Lava Jato, que apura um esquema de desvio de recursos bilionário da Petrobras.  

A Lava Jato nunca esteve tão próxima de Renan como está agora. Político experiente, o presidente do Senado traçou uma estratégia e já o colocou em prática. O plano, conta a fonte, está centrado numa aproximação com Temer nos moldes do "ou escapamos os dois, ou vamos morrer abraçados" para tentar colocar freios na Lava Jato.  

A primeira iniciativa já foi tomada. Renan já afirmou a aliados que vai dar prosseguimento a um dos pedidos de impeachment do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Renan está enlouquecido com o pedido de prisão contra ele feito por Janot. Assessores próximos de Renan já o alertaram da possível consequência em tentar barrar, de alguma maneira, a Lava Jato -- citando a prisão e a cassação do mandato do agora ex-senador Delcídio do Amaral (PT). 

Temer e seus assessores mais próximos já detectaram esta estratégia de Renan Calheiros. E, por enquanto, o presidente interino faz cara de paisagem, mas em breve terá de fazer a dura escolha: abandona ou se alia a Renan? 

A primeira opção terá como consequência uma verdadeira e sem precedentes devassa dentro do PMDB. Renan já disse a alguns poucos interlocutores que não vai ser bode expiatório -- ou seja, vai cair atirando. Se o destino foi se unir a Renan, Temer pode ser varrido pela Lava Jato.