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Novos diretores da Petrobras estão na mira da Lava Jato

A 31º fase da operação Lava Jato deve trazer à tona o envolvimento de novos diretores da Petrobras envolvidos com casos de corrupção. O foco da ação deflagrada nesta segunda-feira (4) são empresas que realizaram obras da estatal -- entre elas os centros Integrado de Processamento de Dados (CIPD) e de Pesquisas (Cenpes), ambos no Rio de Janeiro. 

De acordo com o procurador da República Julio Carlos Motta Noronha, a suspeita é que o Consórcio Novo Cenpes pagou R$ 39 milhões em propina para conseguir um contrato na Petrobras entre 2007 e 2012. 

As irregularidades são antigas e o Tribunal de Contas da União (TCU) já tinha comunicado o governo federal e a Petrobras, mas nada foi feito. 

O relatório de auditoria do TCU, que é sigiloso, revelou que muitas empresas que participaram das obras eram de funcionários, ou familiares deles, da própria Petrobras -- o que é vedado por lei. Diz um trecho da documentação que "a elevada materialidade do presente trabalho está evidenciada nos indícios de irregularidade apontados nos contratos detalhados nos Anexos III e IV, perfazendo o valor de R$ 732 milhões, e no fato de a Petrobras contar atualmente com mais de 240.000 contratados (empregados de empresas prestadoras de serviço), aproximadamente 60.000 empregados efetivos, dos quais mais de 10.000 ocupantes de função comissionada. Considerando o fato de o Código de Ética da Petrobras valer para todas as demais empresas do grupo, poder-se-ia também aumentar o universo de investigação, o que aumentaria, por consequência lógica, a materialidade exposta". Ou seja, quanto mais for investigado, maior será o rombo. 

Em outro trecho, os auditores concluem que "foram identificadas duas situações concretas nas quais há o indício contratação de familiares (por meio de contrato firmado com empresa prestadora de serviço) de empregados efetivos comissionados". Portanto, a Polícia Federal deve agora se debruçar sobre os contratos internos feitos pela Petrobras e deve chegar a outros diretores da estatal que até então estavam passando desapercebidos "dos olhos" da Lava Jato.