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A mulher está em baixa

A frase é só para provocar e incentivar a reflexão. Eu que não teria coragem de fazer a afirmação, mas a vejo necessária pelos fatos. Por 9 votos a 4, a Câmara Municipal de Maringá negou seguimento a abertura de uma Comissão Processante (CP) para apurar o eventual decoro parlamentar de um vereador preso no dia 22 de março sob sentença baseada na Lei Maria da Penha.

Há recurso judicial e habeas corpus por vir, mas perderam os vereadores a oportunidade concedida de discutir a fundo se uma infração a Lei Maria da Penha, no caso acusações de ameaça e injúria, é ou não falta de decoro parlamentar de quem foi eleito, no caso a duras penas, representante do povo no Legislativo Municipal.

Perdeu-se a oportunidade de ampliar o debate em defesa do fim da violência contra mulher, seja física ou psicológica. Na comissão processante, nome feio e assustador aos detentores de mandato, se obrigaria o vereador que foi preso a se defender publicamente. Só então, em nova votação, se decidiria pelo sim ou não do seguimento do processo rumo à cassação do mandato. Perderam os vereadores. Nem a única mulher com mandato, Márcia Socreppa, do Partido da Mulher Brasileira, e de partida para o PTB, disse sim ao debate.

Arquivou-se o pedido da comissão processante, de momento, não contra Luizinho Gari, mesmo sendo, mas a favor da Lei Maria da Penha e de todas as mulheres e instituições que defendem o fim da violência contra a mulher. Por 9 votos a 4, na Câmara Municipal de Maringá, a mulher está em baixa. A título de informação, Flávio Vicente (Rede), Humberto Henrique (PT), Mário Verri (PT) e Ulisses Maia (PDT) foram vencidos.