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Maringá merece o segundo turno

Imagino o eleitor comum, sem muito tempo para se aprofundar nem sobre as propostas e nem sobre a ficha dos candidatos a prefeito. Tivemos uma campanha curta, com muito discurso, com muita maquiagem e promessas. É difícil digerir. É necessário aprofundar o debate. Maringá merece o segundo turno. A população precisa ter mais tempo para analisar se uma fala bonita não é apenas uma fala bonita, que apenas ilude ou seduz ou faz uma verdade parecer mentira ou uma mentira parecer verdade.

Maringá tem um ponto positivo que são as entidades, associações e conselhos que mesmo em curto espaço de tempo, cobraram compromissos dos candidatos e vão ter condições de cobrar depois. O que vale é o que está escrito e assinado. É esta participação que faz a cidade referência em bem-estar urbano e no desenvolvimento, não as suspeitas de irregularidades em licitações de serviços públicos e contratos vantajosos à iniciativa privada. O maringaense faz a diferença quando exige o melhor possível.

Independente de quem saia vitorioso nas eleições, a cobrança nos próximos anos é por transparência, vereadores que fiscalizem e pela possibilidade de participação popular. Na reta final da campanha, mesmo sem a divulgação de pesquisas, em acordo com a legislação, até agora, antes do primeiro turno, temos a certeza de que há um candidato pela continuidade com boa aceitação e três com desejo de mudanças que ainda podem fazer valer o importante preceito da alternância de poder.

No último debate, todos os quatro se saíram bem. O ex-prefeito Silvio Barros (PP) consegue manter a calma e minimizar até os questionamentos a um dos mais de uma dezena de processos que responde, mas que não lhe tiraram o direito à candidatura, conforme bem descreveu o juiz na decisão que deferiu o registro do candidato. Silvio não se abala, mesmo com os bens atualmente indisponíveis por decisão do Tribunal de Justiça do Paraná, dentro de ação que questiona a contratação de uma empresa para fiscalizar obras por preço supostamente acima do mercado, e com o agravante da empresa ter feito doações eleitorais ao PP em 2012. Barros tem um bom discurso e colhe frutos de acertos, com destaque na mobilidade.

Ulisses Maia (PDT) mostrou conhecimento e não se deixou levar pela provocação de Barros, que o lembrou do trabalho como chefe de gabinete. Maia participou da gestão de Barros e chegou à presidência da Câmara pelo PP. Acertou em transparência na Câmara e mostrou que é possível um Legislativo mais isento. Humberto Henrique (PT) tinha condições de ser ainda mais incisivo, mas o tempo não lhe permitiu aprofundar o conhecimento dos últimos doze anos, acumulados com o bom exercício da vereança. O candidato também não polemizou as críticas ao PT e a velha lembrança de 2004, herança por sua vez dos escândalos das gestões da década de 1990. Wilson Quinteiro (PSB) foi provocado por ser aliado do governador Beto Richa (PSDB), mas não desviou o foco e manteve questionamentos e propostas equilibradas. Tem um bom discurso e, talvez, um pouco mais de chances de chegar ao segundo turno, vaga que disputa principalmente com Maia.

Temos bons candidatos, inteligentes e com possibilidade de administrar bem. Volto a ressaltar que, mais importante do que quem ganhe, é a população ter condições de acompanhar com transparência, participar e fiscalizar cada vez mais. Há ainda outros quatro candidatos, Flávio Vicente (Rede) acrescentaria ao debate, mas precisaria ter mais aliados para fazer a sua rede crescer ainda em 2016. O negócio agora é aguardar a resposta das urnas e bons debates no bem possível e merecido segundo turno das eleições municipais de Maringá.