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O fantasma da cassação

Tem assombração para todos os lados. Na presidência, Congresso, câmaras municipais. E todos os políticos temem o fantasma do afastamento. E, acredito, o problema não é de quem foi submetido ao julgamento, mas da inércia corporativista de quem deve julgar, opinar publicamente pela cassação de um 'colega' de parlamento ou da presidente da República.

Eduardo Cunha, o ninja regimental, enfim, saiu da zona de conforto para o risco. Faltará coragem aos deputados para derrubá-lo da prancha do foro privilegiado? Acredito que desta vez não, que faltam apenas dias para que deixe a Câmara para se defender das denúncias na Justiça, sem poder recorrer ao regimento, dependente apenas dos códigos de processo civil e criminal e, claro, do que prevê a Constituição. Do contrário, perderá de vez a instituição, a credibilidade que ainda lhe resta.

Sobre Dilma pairam incertezas, a começar pelo desempenho do governo Temer, que não vai mal, mas principalmente dos desdobramentos do trabalho judicial contra a corrupção, que extrapolou os limites da Lava Jato e, quiçá, vai propagar em operações cada vez mais frequentes, com o foco comum de desvio de dinheiro público de contratos com estatais, com destino certo para a propina e doações 'mascaradamente' legais de campanha. Bom, se Dilma cai? Ainda acredito que sim e não vão adiantar as manifestações ridículas e orquestradas contra as Olimpíadas, que o PT, na figura de Lula, comemorou ao se alcançar.

De Maringá, sobre dizer que o entendimento da Câmara Municipal de Maringá é que ficar preso por 11 dias por desrespeito a Lei Maria da Penha não é quebra de decoro. Julgado, Luizinho Gari, escapou da primeira Comissão Processante. Foi absolvido, mas não comemorou. Desconte com as críticas na sessão de julgamento, falou mais do que devia e esbravejou, xingou e ameaçou atrás de divisórias simples, que permitiram a gravação do áudio e testemunhas. Garantiu combustível a segunda Comissão Processante contra ele, que é acusado de ser o autor de uma carta anônima com ameaça, entregue pelo assessor dele, ao vereador Mário Verri, o mesmo que xingou atrás das quatro divisórias do gabinete. Pelo regimento interno da Câmara, o segundo caso é mais grave. Resta aguardar o resultado, novamente corporativista, ou não. É o fantasma da cassação que tanto assombra os políticos.