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Vale é sancionado, agora começa a pressão dos reajustes

Em menos de dez dias de gestão, o prefeito de Maringá, Ulisses Maia (PDT), conseguiu aprovar na Câmara Municipal e sancionar o vale-alimentação dos servidores. Com o benefício, agrada mais de doze mil e cumpre uma das promessas de campanha. Só que, em ano de crise, com ordem para fazer economia aos novos secretários, aumenta a despesa do funcionalismo em R$ 26,7 milhões ao ano. É razoável frente a arrecadação estimada de R$ 1,4 bilhão para 2017, mas uma aposta arriscada por ter recebido um orçamento da gestão anterior sem previsão para o reajuste anual dos servidores. A Secretaria da Fazenda não tem escondido os números, para conceder a inflação, em maio, na data base da categoria, o município terá de economizar.

Para que os servidores comecem a receber o vale, Maia vai determinar agora a publicação do edital de licitação para a contratação da empresa que vai fornecer os cartões de alimentação para os gastos dos funcionários. Nesta conta, o comércio vai ganhar com as compras dos trabalhadores e, claro, a empresa que vencer o contrato vai lucrar com o trabalho. É a primeira grande contratação de Maia que demonstra estar de olho em outros grandes contratos. Outra promessa que pretende cumprir é a da prefeitura reassumir o serviço de coleta do lixo domiciliar, com a compra de caminhões novos e, possivelmente, a contratação de mais funcionários.

Maia também afirma que pretende reavaliar o contrato com a concessionária do transporte coletivo. Neste caso, a busca é por economia do desgaste ou até lucro político. A redução da passagem permitiria ao eleito estender a lua de mel com milhares de eleitores. Temos de aguardar para saber se todas as cláusulas do contrato vão ser postas à mesa e consideradas, se houve aditivos em anos anteriores e se as planilhas publicadas, pouco explicativas e claras, refletem a realidade. A prefeitura tem argumentos, mas a pressão, que virá para o aumento da tarifa, no mês de junho, será tão grande quanto o apelo dos servidores da prefeitura para a conquista do maior reajuste salarial possível no mês de maio. São contas complicadas a equacionar, principalmente em ano de crise.

O que preocupa, no momento, é saber como fecharam as contas da prefeitura em 2016, se sobrou caixa em fonte livre e quais os restos a pagar deixados ao novo governo. Do mais, a nova gestão precisa criar meios de arrecadar mais, sem aumentar os impostos, e terá muitas alterações orçamentarias a fazer para que consiga atender as prioridades novas da prefeitura. O vale está garantido, agora começa a pressão de todos que querem reajustes.