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“Macumba: Uma gira sobre Poder”

Trata-se de um projeto multiáreas, que combina a pesquisa e o texto teatral à música e artes visuais (Foto: Miriane Figueira) -  “Macumba: Uma gira sobre Poder”
Trata-se de um projeto multiáreas, que combina a pesquisa e o texto teatral à música e artes visuais (Foto: Miriane Figueira)

A Sociedade 13 de Maio abriga a temporada da peça “Macumba: Uma Gira Sobre  Poder”, ponto máximo e encerramento do Projeto Macumba, com o qual a Companhia Transitória conquistou a Bolsa Funarte de Fomento aos Artistas e Produtores Negros de 2014.  Trata-se de um projeto multiáreas, que combina a pesquisa e o texto teatral à música e artes visuais e que busca resgatar, fortalecer e disseminar a ancestralidade e a ritualidade africanas.  A estreia será na próxima terça-feira, 12/7, e a temporada segue até agosto.

A Transitória conta nesta empreitada com a parceria do Núcleo Afro-Brasileiro de Teatro de Alagoinhas, o NATA, que ‘emprestou’ sua fundadora, a diretora, dramaturga, educadora e pesquisadora da cultura africana no Brasil, Fernanda Julia, para ajudar a levantar a proposta, cuja temática vem sendo pesquisada e desenvolvida ao longo dos últimos dois anos pela companhia curitibana. Nome forte da nova dramaturgia brasileira, Fernanda traz no currículo trabalhos com Lazaro Ramos e Greice Passô e já esteve em Curitiba na Mostra Baiana, no Fringe do Festival de Teatro de Curitiba. Ela assina a dramaturgia e a direção do espetáculo.

Fernanda e seu assistente, Dominique Faislon, estão morando em Curitiba desde abril passado para participar de maneira orgânica da criação da peça e do projeto, que são permeados por ações afirmativas e com a intenção de ir além do público tradicional do teatro. Fernanda conta que quando a Transitória a convidou para a empreitada, ela viu a oportunidade de dialogar com um elenco interessado em mergulhar no encontro entre Candomblé e Teatro e fortalecer seu contato com a ancestralidade africana.

(Foto: Miriane Figueira)A Transitória conta nesta empreitada com a parceria do Núcleo Afro-Brasileiro de Teatro de Alagoinhas (Foto: Miriane Figueira)

“Percebi a possibilidade de ampliar as discussões acerca da ancestralidade negra e do Candomblé como ponto de partida para a formação e a criação cênica”, pondera a diretora. É estimulante, diz ela, pois discutir estas questões num espaço onde a negritude busca fortalecer-se e que tem muitos desafios a serem superados está permitindo a construção de um espetáculo provocador. “Curitiba também é um espaço emblemático por ainda existir um desejo de ser a capital europeia do país e uma certa tendência em não levar em consideração os 22% de negras e negros que aqui habitam e a contribuição de seus antepassados”, comenta Fernanda, acrescentando que “aceitar este convite me mostrou mais um caminho no fortalecimento da minha identidade cultural, artística e espiritual”.

Para a equipe da Companhia Transitória, que existe desde 2007, a experiência está sendo igualmente intensa. Thiago Inácio, um dos fundadores do grupo, artista contemplado com a Bolsa da Funarte e que faz parte do elenco, diz que participar desta empreitada vai muito além da criação artística. "São reverberações que jamais poderia imaginar que sentiria como artista. Não é apenas uma peça de teatro. É um posicionamento de vida", pontua.

É um espetáculo de desafios, acrescenta Clarissa Oliveira, diretora de produção da Transitória e do projeto, no qual toca vários dos instrumentos da trilha sonora ao vivo.   Foi um processo desafiador e intrigante, comenta ela, que acabou ligando artística e sensorialmente todos os envolvidos. A direção de produção virou banda, o diretor executivo virou diretor musical, o assistente de produção virou cenógrafo e de repente todos estavam entregues de alma, corpo e coração a este processo.  “Todos fomos afetados, influenciados, mexidos com o que veio à tona. A ancestralidade latente, o retorno às raízes, fortalecimento de nossas fés”, assegura ela. “Tocar nesse espetáculo é como tocar aos orixás. É celebrar a vida e estar a serviço da ancestralidade. Tive a oportunidade de me reconectar à música que tinha deixado em segundo plano, tive contato com novos instrumentos e voltei aos antigos. Nada é por acaso, a musicalidade de “Macumba: Uma Gira Sobre Poder” está viva em meus poros”, finaliza ela, bem no tom visceral que envolve e é visível em todo o processo de criação e o será também em “Macumba: Uma Gira sobre Poder”.

Serviço

Macumba: Uma Gira Sobre Poder

Quando: De 12/7 a 4/8. Terças, quartas e quintas-feiras, às 20h.

Onde: Sociedade 13 de Maio ( R. Clotário Portugal, 274)

Quanto: R$ 20 e R$10.

Informações: projetomacumbactba@gmail.com ou pelo whatsapp: 41 98259022. 

Ingressos: http://www.sympla.com.br/Macumba

Colaboração Assessoria de Imprensa