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Ballet de Londrina realiza última temporada do "Sem Eira Nem Beira"

(foto: Divulgação) - Ballet de Londrina realiza última temporada do "Sem Eira Nem Beira"
(foto: Divulgação)

O Ballet de Londrina realiza, a partir deste fim de semana, uma série de apresentação do espetáculo “Sem Eira Nem Beira”, que fez sua estreia em 2014 nas construções do Teatro Municipal. Desta vez, o diretor Leonardo Ramos leva a coreografia para o palco fechado, no Circo Funcart (Rua Senador Souza Naves, 2.380). A Funcart é conveniada da Prefeitura de Londrina, por meio da Secretaria Municipal de Cultura.

As sessões acontecem nos dias 10, 11 e 12 de junho, sempre às 20 horas. Os ingressos custam R$20 e R$10 (meia entrada e ingresso promocional, adquirido com antecedência). Os bilhetes antecipados estarão disponíveis até sexta-feira na Funcart, no mesmo endereço do teatro. Mais informações pelo telefone 3342-2362.

 Inspirado na cultura popular, “Sem Eira Nem Beira” funde a dança dos brincantes nordestinos à linguagem contemporânea com a qual o Ballet de Londrina ficou conhecido no cenário nacional, baseada em novos apoios e em eixos de sustentação não convencionais. Assim, manifestações como o frevo, o maracatu, o caboclinho, o cavalo marinho e as quadrilhas aparecem estilizados numa coreografia que transporta o espectador para as festas e para a devoção do Nordeste brasileiro. Após peças mais dramáticas e soturnas, como “A Sagração da Primavera” (2011) e “Decalque” (2007), “Sem Eira Nem Beira” aparece como o espetáculo mais luminoso da trajetória recente da companhia.

 “Toda vez que me sinto na zona de conforto, eu procuro me reinventar. Em ‘Sagração’, percebemos que o corpo do elenco já dominava totalmente a linguagem horizontal. Neste espetáculo, avançamos em outras direções, fundindo o clássico e o popular – que é uma característica do Movimento Armorial. Há uma desorganização proposital na coreografia, que remete à dança de rua do Nordeste, permeada de religiosidade e festividades, onde tudo começa e termina ”, explica o diretor Leonardo Ramos.

 “Sem Eira Nem Beira” reata os laços de Ramos com a sua terra natal. O diretor nasceu e passou a juventude em Olinda (PE), o que faz com que o espetáculo seja genuinamente uma construção pautada na memória. “A dança e a música em Pernambuco estão ligadas a tudo. O carnaval é um fenômeno que não acontece só em três dias, mas em eventos durante o ano todo. Sem contar as troças de frevo, as tribos de caboclinhos, as várias correntes de maracatu, o pastorinho de Natal, o bumba meu boi, as cirandas da Ilha de Itamaracá”, recorda.

 Mesmo com toda as cores, ritmos e movimentos que o influenciaram, Leonardo Ramos conta que sua busca na dança contemporânea, ao longo dos 21 anos à frente do Ballet de Londrina, foi sempre na direção da sistematização de uma linguagem própria. Este é o primeiro espetáculo da companhia que tangencia de forma declarada a cultura popular e encontra nela a primazia e o virtuosismo próprios do erudito – ideologia que norteou o Movimento Armorial, criado em Recife por Ariano Suassuna em 1970 e que abarcou linguagens que vão das artes plásticas à música.

 O espetáculo, aliás, é dedicado ao autor de O Auto da Compadecida. Quando Ariano Suassuna faleceu, em julho do ano passado, “Sem Eira Nem Beira” já estava em pleno processo. “Eu li muito sobre Ariano, vi suas entrevistas mais antigas para esta montagem. Ariano era dono de uma grande inteligência e de um imenso espírito de preservação cultural. Ajudou as pessoas a entenderem o valor de sua cultura e influenciou uma legião de artistas”, pontua. A trilha da montagem é composta pelos pífanos, violas, rabecas e zabumbas do disco Do Romance ao Galope Nordestino (1974), primeiro álbum do Quinteto Armorial.

 Quatro mãos – Pela primeira vez, Leonardo Ramos divide a assinatura de uma coreografia do Ballet de Londrina. “Sem Eira Nem Beira” é uma co-criação de Marciano Boletti, atual ensaiador e bailarino mais antigo da companhia. Com 42 anos de idade e 21 anos de Ballet, Marciano é, segundo o diretor, um dos possíveis nomes a sua futura sucessão. “Marciano começou a trabalhar comigo aos 17 anos, eu vi sua transformação, um garçom que virou bailarino. Graças à sorte da convivência, ele já entende como eu penso e eu sei o modo com o qual ele raciocina. Foi uma parceria muito feliz.”

 “Sem Eira Nem Beira” estreou em dezembro de 2014, na ocasião das comemorações dos 80 anos de Londrina e dentro da extensão do Festival de Dança de Londrina. O evento propôs uma ocupação das construções do Teatro Municipal, cujas obras ainda estão paradas.