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Espetáculos são destaques na programação do Festival de Dança desta sexta

(foto: divulgação) - Espetáculos são destaques na programação do Festival de Dança
(foto: divulgação)

O 14º Festival de Dança de Londrina traz nesta sexta-feira (7) um programa especial com dois espetáculos que abordam de forma poética a memória, a terceira idade e os ciclos da vida. Às 20h30, no Circo Funcart, estão programadas apresentações de “Yolanda Calaboca”, remontagem especialmente feita pela Casa das Fases (Londrina) a convite do Festival, e “Compêndio para Velhice”, da Cia Oito Nova Dança (São Paulo). Os ingressos estão à venda na secretaria da Funcart, na loja Shop Ballet e na Kinise Dancewear do Boulevard Shopping. A bilheteria também será aberta no Circo Funcart, uma hora antes do início das apresentações.

A atriz Carmen Mattos, com a supervisão de Devas Girotto, novamente estará em cena com “Yolanda Calaboca”, solo de 2012 dirigido pelo saudoso João Henrique Bernardi. Por quase três décadas, o diretor esteve à frente da “Casa das Fases – Núcleo de Arte e História com Senhoras e Senhores”, grupo teatral com pessoas de mais de 60 anos e que alcançou projeção internacional. Sua metodologia consistia em desenvolver cenicamente “o mundo que cada indivíduo carrega dentro de si”.

A peça aborda a vida de uma mulher vítima do Mal de Alzheimer e da solidão. Na época, João Henrique Bernardi desenvolveu o trabalho depois de descobrir a vida de uma Yolanda de verdade numa caçamba de lixo. Ele encontrou na rua alguns pertences (móveis, objetos, documentos e cartas) dessa mulher. Bernardi se comoveu com a história dessa Yolanda, que estava internada em um hospital, e pesquisou a vida de outras mulheres com a doença para criar a personagem que estará no palco esta noite.

A trama do espetáculo expõe as memórias de Yolanda, que, na juventude, era linda e atraía todos os rapazes. Como boa moça, fez seu casamento como quis o pai e com o homem que amava. No entanto, o destino foi cruel com Yolanda. Ela teve um aborto e um filho morto aos sete anos. O marido também morreu de desgosto. Yolanda seguiu sozinha, passou a ter manias e criou um mundo só pra si. Parte deste universo é revelada ao público quando ela abre as cortinas de tule de sua memória.

Compêndio para Velhice

O corpo é sempre bagagem que guarda as experiências de uma vida. “Compêndio para Velhice”, segunda apresentação da noite desta sexta-feira (7) no Festival de Dança de Londrina, coloca em cena a poesia de pessoas que trilharam longas trajetórias e que trazem em si a sabedoria do tempo. A Cia Oito Nova Dança, de São Paulo, faz uma leitura muito particular da terceira idade, expressando o estado corporal da memória como um estado cênico.

Entre vácuos de silêncio, relatos reais em off e músicas executadas ao vivo por Andrea Drigo, a bailarina Lu Favoreto busca tocar e ser tocada pelo universo daqueles que dizem tudo por meio do olhar e que carregam na voz as asperezas das lembranças.

O espetáculo trabalha a estrutura corporal articulada à poesia do movimento de modo a evocar não só a imagem do velho, mas também uma condição solene de quem atravessa lembranças de inúmeras vivências. Como um presente do passado para o futuro, o corpo oferece seus apoios como suporte do tempo que passa e do tempo que fica. A cenografia conta com projeções em close de idosos e com folhas secas espalhadas pelo palco, que representam os ciclos da vida.

"Compêndio para Velhice" tem concepção e direção de Lu Favoreto, com direção musical de Andrea Drigo, orientação dramatúrgica de Valéria Cano Bravi e orientação coreográfica de Marina Caron. O figurino é de Maristela Estrela e a luz, assinada por Fabio Retti. A trilha sonora foi composta por Andrea Drigo e Ramiro Murillo.

(com assessoria de imprensa)