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Masp abre mostra que questiona a interação do público com as obras

Concebida em 1968, a obra Zero to Infinity (Zero ao Infinito), de Rasheed Araeen, é formada por 400 cubos de madeira coloridos. A partir desta quinta-feira, 17, e até 24 de julho, as peças vazadas e nas cores amarelo, vermelho, laranja e azul que a compõem serão instaladas no vão livre do Masp não a fim de formar uma grande escultura geométrica e inerte a ser contemplada, mas como um convite para a interação de transeuntes da Avenida Paulista e visitantes do museu. "É o público que constrói ou desmantela o meu trabalho; não digo às pessoas o que fazer com ele, deixo que façam o que quiserem", diz o artista.

Aos 80 anos, Rasheed Araeen, considerado um dos pioneiros do minimalismo, conta que a histórica Zero to Infinity ficou hibernando por quatro décadas até que, finalmente, a Tate, da Inglaterra, onde o paquistanês vive, a exibisse em uma coletiva realizada entre 2012 e 2013. "Todo meu trabalho é sobre jogar/brincar, é sobre a interatividade", define o artista, que, como ainda conta, propôs para a Documenta 14, de 2017, da qual será um dos participantes, um projeto no qual as pessoas poderão se alimentar no interior de uma grande estrutura desenhada por ele e a ser construída em Atenas, na Grécia.

Agora, em sua primeira vinda ao Brasil, Rasheed Araeen fica contente por Zero to Infinity, obra "contínua", sem fim, e diferente a cada lugar onde é apresentada - seja um mercado em Londres; um parque em Lima; ou o vão livre do Masp, enumera -, ser um dos destaques da exposição Playgrounds 2016, que o museu inaugura nesta quinta-feira.

Além dos cubos coloridos do paquistanês, o espaço aberto concebido pela arquiteta Lina Bo Bardi também abrigará um carrossel contemporâneo projetado por Céline Condorelli. Essas criações são, assim, os primeiros atrativos da mostra que resgata uma proposta de 1969 do artista Nelson Leirner para o mesmo local.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.