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'O Lego deixa a arte acessível', diz Nathan Sawaya

(Foto: Reprodução Facebook) - 'O Lego deixa a arte acessível', diz Nathan Sawaya
(Foto: Reprodução Facebook)

Tem artista que esculpe em argila. Outros, em mármore ou bronze. O norte-americano Nathan Sawaya prefere os Legos. Sua exposição The Art of the Brick, que corre o mundo atraindo milhares de visitantes, chega agora ao Brasil, onde fica até dia 30 de outubro, na Oca, em São Paulo. Em 11 de novembro, será aberta no Museu Histórico Nacional, no Rio. Aparecem na mostra obras de várias fases de sua carreira, incluindo versões em Lego de clássicos como O Pensador, de Auguste Rodin, e O Grito, de Edvard Munch, peças que parecem ter movimento - como um homem abrindo seu peito - e até um Tiranossauro rex de 6 m de altura. "A ideia é que haja algo para cada membro da família", disse Sawaya em entrevista ao Estado em seu ateliê, em Los Angeles. Empolgado com sua primeira visita ao Brasil, ele falou sobre seu início como artista e o que pretende com sua arte.

Como começou a esculpir com Legos?

Claro que eu tinha Legos quando era criança. Mas foi bem mais tarde que eu redescobri as pecinhas. Fiz faculdade de Direito, fui advogado corporativo em Nova York, e, quando chegava em casa, precisava de algum tipo de válvula de escape. Eu desenhava, pintava, esculpia com materiais mais tradicionais, como argila, arame e até doces. Um dia, pensei no Lego. E se tentasse com esse brinquedo da minha infância? Dava para fazer arte contemporânea com Legos? Comecei a fazer experiências.

Mas sempre quis ser artista?

Desde a faculdade, eu queria ser artista. Mas terminei minha graduação e senti pressão da sociedade e dos meus pais de ser profissional, de ter um emprego.

Por que Legos?

Eu estava focando em outros tipos de esculturas antes, mas havia algo a ser feito com Legos. Era algo de que eu gostava. Muito rapidamente, percebi que o público também gostava, por sua familiaridade com o brinquedo. Porque torna a arte acessível. Meu objetivo é que as pessoas se identifiquem com a arte. Então foi uma combinação: como fazer algo que eu ame, que as pessoas gostam e que vai ser minha carreira.

Você diz que a arte não é opcional. O que isso significa?

A arte não é opcional. Acho que é parte importante da vida de todo mundo. Quando era advogado, não era feliz. Para falar a verdade, estava infeliz. Descobri que criar arte me deixava feliz. E, conforme eu estudava arte e criatividade, vi que tinha muito mais benefícios. Ser criativo deixa você mais saudável. Arte é usada como terapia. E a arte faz com que você fique mais inteligente.

No Brasil, muitas vezes, arte e cultura são consideradas supérfluas.

Nos Estados Unidos também. A arte é desprezada porque outros tipos de educação, como escrita e aritmética, são considerados prioridade. É aí que reside o problema. Como fazer da arte algo mais importante? E parte do meu trabalho com essa exibição é expor a arte às pessoas que não têm acesso a ela e fazer com que a família inteira possa apreciá-la. Eu já fui a museus que não foram feitos para a família. Você vê uma estátua de mármore e pode gostar, mas, quando chega em casa, não tem mármore disponível. Mas as pessoas têm Lego. E isso torna a arte mais próxima. A esperança é que o público se conecte com as obras, que elas sejam mais disponíveis e acessíveis. Prefiro fazer exposições a vender uma obra de arte que vai ficar na sala de estar de alguém. Porque o dono vai apreciar, mas quase ninguém mais vai ver. Numa exposição, todo mundo pode ver.