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CCBB promove mostra completa dos irmãos Dardenne

Se existe um título que defina o espírito de uma mostra, é esse Cinema Humanista - Irmãos Dardenne, que o CCBB inicia a partir de quarta, 17. De fato, os irmãos belga Luc e Jean-Pierre Dardenne fazem filmes que têm o ser humano como ponto central e preocupação dominante. Em vez de futilidades, ou efeitos especiais, ou aventuras inócuas, os Dardenne elegem como temas o desemprego, desníveis sociais, o aborto, a infância em famílias disfuncionais. Coisas assim. São artistas que acreditam nas causas sociais e na função social da arte, por démodé que isso pareça. E o fazem sem descuidar da linguagem cinematográfica, forjando um estilo bem pessoal, naturalista, seco, despojado, câmera próxima dos personagens.

Foi assim que fizeram sucesso com Rosetta e A Criança (Palmas de Ouro em Cannes) e os também premiados O Filho, O Silêncio de Lorna, O Garoto de Bicicleta e Dois Dias Uma Noite, filme que rendeu à atriz francesa Marion Cotillard nada menos que oito troféus de melhor interpretação.

A mostra, sob curadoria da cineasta Caru Alves de Souza (diretora de De Menor), traz esses filmes famosos e muitos outros mais. Promete uma retrospectiva completa da obra dos irmãos, 22 filmes, incluindo ficção e documentários de início de carreira. Será oportunidade única para o público seguir a trajetória completa de uma das carreiras mais coerentes e consistentes do cinema atual.

Assim, o espectador poderá conferir filmes raros no Brasil como Lições de uma Universidade Voadora (sobre a vida dos exilados), Quando o Barco de Léon M. Desceu o Rio Meuse pela Primeira Vez (memórias de uma greve), Para Dar fim à Guerra os Muros Precisam Cair (a respeito de um jornal clandestino escrito por operários), R...Sem Resposta (sobre rádios livres).

Também será abordada a faceta de produtores dos irmãos. Entre outros, produziram filmes como À Procura de Eric, do britânico Ken Loach, e Além das Montanhas, do romeno Cristian Mungiu. Além de escrever e filmar seus próprios projetos, os Dardenne, como produtores, construíram uma fina rede de afinidades políticas eletivas.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.