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Diretor do documentário 'Iván' participa de exibição do filme na Unicentro

(Foto: Divulgação) - Diretor de documentário participa de exibição do filme na Unicentro
(Foto: Divulgação)

No dia 24 de agosto, a Ucrânia comemora a sua data mais importante: o Dia da Independência. E para marcar a data, o Núcleo de Estudos Eslavos da Unicentro trouxe a Irati, Guarapuava e Prudentópolis exibições do filme “Iván”. O longa narra a história de Iván Bojko, que em 1948 imigrou para o Brasil como refugiado da Segunda Guerra Mundial, e tem a oportunidade de retornar a sua terra natal.

O cineasta Guto Pasko esteve em Irati para um debate após a exibição de “Iván” no Cine Café. “É um filme que fala direta ou indiretamente da história de cada um dos imigrantes que estão aqui na região, sejam ucranianos, poloneses, ou de qualquer outra etnia. O contexto do filme é a Segunda Guerra Mundial e Iván Bojko é um refugiado. Assim, o pano de fundo do filme trata de questões como refugiados, imigrantes, a Segunda Guerra Mundial, o Comunismo Soviético e o Nazismo. Então, independente da etnia, é um filme que fala da nossa condição humana”, explica.

Guto destaca que Iván é um homem que passou pelo século XX todo, e que viu com os próprios olhos e sentiu na própria pele, todas as atrocidades de guerra que a Europa viveu nesse período. Bojko vivia em uma aldeia rural, na província de Ternopil, que fica no Oeste da Ucrânia. Quando os nazistas invadiram a então União Soviética, ele foi sequestrado e levado para trabalho forçado na região de Hanover, na Alemanha.

“Iván ficou de 1942 a 1945 nas mãos dos nazistas e conseguiu sobreviver a esta experiência. A maioria das pessoas não suportavam as condições de trabalho forçado. Quando a guerra terminou, ele simplesmente não pôde voltar para casa na Ucrânia, porque os russos já tinham dominado o país novamente, e consideravam essas pessoas que estavam na Alemanha como traidoras, porque supostamente estariam ajudando Hitler contra a União Soviética, porém, ele foi sequestrado. Então Bojko não teve outra opção a não ser ir para outro lugar e acabou vindo para o Brasil. Chegou em maio de 1948 em Curitiba, onde vive até hoje”, conta Pasko.

Segundo o cineasta, o contato com Iván Bojko teve início após o lançamento de “Made in Ucrania”, que é um filme sobre a história da imigração ucraniana no Brasil. Bojko viu o filme e resolveu entregar a Guto os diários da vida dele. São caderninhos manuscritos em língua ucraniana, onde Iván narra toda a sua experiência de vida, a juventude na Ucrânia, a invasão dos soviéticos e dos russos, depois toda a situação ligada à Segunda Guerra Mundial e aos campos de trabalho forçado na Alemanha, até a vinda para o Brasil. Ele chegou aqui em como apátrida, e assim permaneceu até 1991.

“No dia em que ele me entregou os diários disse que estava com 86 anos naquele momento, e que ele já tinha escapado da morte diversas vezes em circunstância de guerra, mas tinha consciência que o tempo dele já estava acabando, mas que ele não podia morrer sem passar adiante aquilo que ele guardava há muitos anos que eram os diários. Não só pela guerra, mas o que foi a União Soviética e as consequências que o povo ucraniano, em especial, passou em função disso. E eu entendi que era uma missão, e que deveria tentar proporcionar que ele próprio contasse sua história para o mundo através de um novo filme. Então nasceu ‘Iván – De volta para o passado’. O filme é o retorno dele a Ucrânia 68 anos depois, já aos 91 anos de idade”, ressalta o cineasta.

Natural da cidade de Prudentópolis, Guto Pasko afirma que o longa, que foi lançado em novembro do ano passado, está saindo do circuito de cinema, mas que o projeto é levar o filme até o maior número de pessoas. Para o próximo mês já está sendo preparado o lançamento em plataformas digitais, e está em negociação uma licença mundial através do Netflix. Parcerias com universidades, escolas, organizações não-governamentais e secretarias de Cultura também fazem parte do projeto.

“Fazemos filmes independente da temática, mas enquanto cineasta todo filme que você faz, direta ou indiretamente, você está falando de você. Então, para mim é uma grande satisfação poder falar da minha própria história também. Porque minha origem é ucraniana, meus familiares imigraram em 1986 para o Brasil. É muito gratificante você poder retornar trazendo um filme que fala de todos nós, da nossa própria condição, da nossa própria realidade, da nossa própria história e todo mundo que está na região seja ucraniano ou polonês, indiretamente, é a história de cada um também”, finaliza Pasko.

Colaboração Assessoria de Imprensa.