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Filmes do festival de cinema italiano retratam realidade da península

8½ - Festa do Cinema Italiano apresenta um panorama diversificado da produção da península. A começar por este intrigante - e às vezes muito engraçado - Loucas de Alegria, de Paolo Virzì, baseado nas aventuras de duas internas em uma casa de apoio a pessoas com transtornos mentais.

Beatrice (Valeria Bruni Tedeschi) e Donatella (Micaela Romazzotti) são duas perdidas da vida, porém cheias de energia e tiradas originais. Decidem fugir e descobrem (e nós com elas) que o mundo "normal" pode ser mais louco que o espaço da internação psiquiátrica. Além de muito mais cruel. As duas atrizes brilham.

O cinema de pegada mais social está em Não Seja Mau, de Claudio Caligari, cineasta que morreu logo após o término das filmagens. Situado (não por acaso) na praia de Óstia, onde, nos anos 1970, o cineasta Pier Paolo Pasolini foi assassinado, mostra dois amigos, Cesare (Luca Marinelli) e Vittorio (Alessandro Borghi), envolvidos com drogas e que tentam dar algum sentido às próprias vidas, por vias divergentes. Com pegada realista bastante intensa, Caligari vai fundo numa Itália que nada tem de cartão-postal ou canções românticas. É dura e cruel, mas, em terreno tão árido, encontra espaço para alguma ternura. Belo filme, talvez o mais forte de toda a mostra.

Panorama lembra também da vertente pop com Meu Nome É Jeeg Robot, de Gabriele Mainette, de novo com Luca Marinette em um dos papéis principais. Mas o "mocinho", nessa odisseia de sangue e violência, é Enzo (Claudio Santamaria) que, ao entrar em contato com substância radioativa, desenvolve superpoderes. A princípio, usa sua força para o crime, mas muda ao conhecer uma garota estranha, Alessia (Ilenia Pastorelli), que o leva para o caminho do bem. Entra em combate com a Camorra napolitana, que opera o tráfico de drogas em Roma.

Toni Servillo, o maior ator italiano contemporâneo, está em duas produções. Em As Confissões, de Roberto Andò, é um religioso estranhamente convidado para a cúpula de ministros de economia do G-8, reunida para tramar um plano recessivo. Está também em As Consequências do Amor, longa de Paolo Sorrentino de 2004, inédito no Brasil. Neste, Servillo vive um agente da máfia encarregado de lavar dinheiro na Suíça. Um filme estranho, preciso, original, feitio de Sorrentino.

Para fechar, Amor Eterno, produção internacional de Giuseppe Cinema Paradiso Tornatore. Falado em inglês, mostra a relação amorosa de um físico, Ed Phoerum (Jeremy Irons) e uma jovem estudante, Amy (Olga Kurylenko). Um desses produtos globais, sem assinatura autoral reconhecível.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.