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'Mate-me por Favor' estreia nesta quinta-feira em cerca de 40 salas

- 'Mate-me por Favor' estreia nesta quinta-feira em cerca de 40 salas

Suspense, terror. Desde sua apresentação no Festival do Rio no ano passado, culminando com o Redentor de melhor atriz para Valentina Herszage, o rótulo de filme de gênero colou em Mate-me por Favor. Numa entrevista por telefone, a diretora Anita Rocha da Silveira conta que nunca pensou no filme nesses termos. O que sempre lhe interessou foi a história das garotas, e da garota, em pleno rito de passagem. Bia, a personagem de Valentina, é adolescente. Um monte de coisas está ocorrendo dentro dela, ao seu redor.

"E o que eu queria era colocar esse turbilhão na tela, processar as transformações todas. O filme nasceu junto com uma paisagem, a Barra da Tijuca (no Rio). Foi lá que fiz meu curta Handebol, em 2010. Gostei daqueles blocos de prédios massificados, das áreas abertas, desoladas. E me dei conta de que o desenvolvimento da Barra é uma coisa ainda recente, dos anos 1990 para cá. A rigor, aquilo não tem muita história nem moral, mas viveu um desenvolvimento acelerado. A transformação das garotas poderia ter seu contraponto na paisagem. Elas também ainda não têm muita história. Estão construindo a delas."

A diretora admite que está nervosa. Já se passou quase um ano desde o Festival do Rio do ano passado, e só agora - nesta quinta, 15 - o filme está estreando. "Vai ser em torno de 40 salas", informa. O curioso é que, mesmo com atraso, Mate-me por Favor será o primeiro de uma série de filmes sobre jovens, realizados com um perfil mais artístico - Barata Ribeiro 716, de Domingos Oliveira, a juventude dos anos 1960, pré-golpe militar (e o filme venceu o Festival de Gramado), e Tamo Junto, de Matheus Souza. Os outros são comédias, mesmo que, eventualmente, com uma pitada de drama. Mate-me tem suspense.

"Talvez essa coisa de gênero venha da montagem, porque, para contrapor às transformações das amigas, o filme acrescenta a história do serial killer que está agindo na Barra. Elas passam a se interessar pelo caso, a investigar. O clima de medo acentua outras coisas - a insegurança que estão sentindo, seus temores face ao mundo adulto." Justamente, os adultos. O filme vê o mundo do ângulo das garotas, e dos adolescentes em geral. Nenhum adulto - "Só o irmão da protagonista, que tem 19 anos, mas ele também está vivendo um conflito típico de adolescente", explica a diretora. E ela reconhece o que talvez seja seu maior acerto. As jovens atrizes são ótimas. Valentina foi um grande achado.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.