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Projeto apresenta sessões de cinema gratuitas e interativas na UEL

(foto: Facebook/ Reprodução) - Projeto apresenta sessões de cinema gratuitas e interativas na UEL
(foto: Facebook/ Reprodução)

Luz, câmera e ação. Um grupo de estudantes e recém formados da Universidade Estadual de Londrina se reuniram por um paixão em comum: cinema. O projeto Cine Cequinha nasceu em 2013 com uma proposta inovadora para a Universidade, assistir e discutir filmes. Como, quando e onde quisessem. Os estudantes valorizam a liberdade nas escolhas dos filmes e procuram fugir das “amarras” do mercado que se espalham pelos cinemas de cidade.

Semanalmente, o grupo faz uma sessão aberta. O filme é escolhido por eles mesmo em reuniões “Desde o início a ideia era produzir filmes que não estão no circuito comercial. Tínhamos esse espaço disponível e vontade para organizar. Então começamos a exibir todo semana, gratuito, para quem quiser ouvir", explica a única representante que está desde o começo no projeto, a estudante de música Renata Landgraf.

Ela diz que a ideia de fazer um debate ao fim de cada filme veio logo nas primeiras sessões “Era uma reunião de gente que gostava de cinema, disposta a debater, então os debates depois de cada filme foram quase naturais e tornaram-se praxe conforme as sessões foram acontecendo”. 

O prédio de madeira é escondido por um matagal e possui uma espaçosa praça como quintal. É um espaço com três salas, uma do lado da outra. Uma delas é a do Cine Cequinha. O espaço das sessões é uma sala pequena, cheia de cores , cortinas pretas e cartazes de filmes pelas paredes.  “O pessoal ia derrubar esse prédio, então o diretório acadêmico do CECA se mobilizou para conseguir ocupar. Um deles ficou pro Cine”, disse Fagner Bruno, formado em jornalismo pela UEL em 2012 e um dos organizadores do projeto.

O espaço é composto por quatro fileiras de cadeiras diversas. De cores e formatos diferentes. Na frente, dois sofás colocados lado a lado e alguns colchões no chão completam o ar alternativo da sala. Um projetor, em cima de uma mesa bamba, exibe a película num tecido pequeno, branco, típico de salas de aula. “Nós começamos com uma televisão, 29 polegadas e umas cadeiras de madeiras. Conforme o projeto foi se desenvolvendo, nós fomos aprendendo os mecanismo da universidades. Como passar por todas as burocracias, aprender a fazer oficio, essas coisas", disse Renata. 

(foto: Danilo Brandão)(foto: Danilo Brandão) 

Os organizadores foram até um depósito da UEL, onde ficam diversos móveis e aparelhos que não são mais utilizados no campus e recolheram materiais. Lá, conseguiram cadeiras, mesas, aparelhos de sons que estavam parados, entre outras coisas. Hoje a sala de cinema está “equipada” até com um microondas, para os visitantes prepararem o acompanhamento mais famoso nas grandes salas de cinema pelo mundo.

Em relação às escolhas dos filmes, eles explicam que re reúnem e separam por temas “Marcamos uma reunião aberta no começo do mês antes de iniciar uma temática, juntamos ideias e pensamos os melhores filmes sobre o tema. Tudo é aberto, para quem quiser participar. Já tivemos francês, latino americano, sobre greves, muitas”, completa Fagner.

No começo do ano passado, o projetor que exibia os filmes quebrou. Sem dinheiro em caixa para arrumar o aparelho, os organizadores tiveram a ideia de fazer “O livro ouro” para quem quiser ajudar, colocar um valor no livro e ajudar na aquisição. 

O revés também serviu para o projeto ultrapassar os limites do campus da universidade. Para levar o livro ouro a outros locais, eles idealizaram sessões em outros lugares da cidade “A primeira que fizemos fora foi no Bar Brasil. Colocamos o valor de dois reais na entrada e um filme londrinense. Foi um sucesso, bastante gente. Tivemos também no bar Up. É uma extensão do projeto na cidade”

Sessão no Bar Up. (foto: Facebook Reprodução) Sessão no Bar Up. (foto: Facebook Reprodução)

Ao falar de uma sessão que marcou , eles abrem um sorriso e relembram o “sufoco” para acomodar todas as pessoas na primeira exibição desse ano. Na ocasião, eles exibiram dois filmes, o francês “Viagem a Lua” e “Fausto”, inspirado no clássico da literatura. “Foi inesperado. Não tinha cadeira, começamos a pegar coisa de outras salas, cadeiras, pufes. Veio umas cinquenta pessoas. Foi incrível. É bom porque vemos o pessoal querendo assistir filme, querendo debater arte. É demais."

As sessões do Cine Cequinha são gratuitas e democráticas. Os debates ajudam quem vai assistir os filmes a ter outras visões sobre o enredo. Muitos clássicos da 7° arte já passaram pelo projeto. De Truffaut à Goddard. E os organizadores se orgulham de fomentar o debate na universidade. "A arte é para todos", diz Renata. Sobre o futuro, ela pontua que enquanto tiveram perna, não vão parar. “Primeiro, precisamos de um projetor novo, depois não temos limites.”

Serviço

Sessões toda semana 

Prédio próximo ao CCH 

Facebook: www.facebook.com/CineCequinha