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Realismo social dá tom de ‘O Valor de um Homem’

A precarização do trabalho, num mercado competitivo e cheio de constrangimentos e assédios morais, é um dado básico do mundo atual. Entre equipes sobrecarregadas, salários baixos, empregos informais exploratórios e taxas de desemprego em ascensão, a realidade do Brasil não está tão longe da França vista em O Valor de um Homem.

No longa de Stéphane Brizé, o francês Thierry (Vincent Lindon, ganhador do prêmio de melhor ator em Cannes 2015 pela atuação) sofre com o desemprego. Casado e com um filho com necessidades especiais, está sem trabalho há mais de um ano, mas não há perspectivas de contratação. Sem experiência, não consegue um novo trabalho, e, sem um novo trabalho, não consegue experiência. Enquanto as dívidas aumentam, Thierry passa por uma série de processos humilhantes, de entrevistas de empregos para os quais não está qualificado à negociação de empréstimos com a funcionária indiferente de um banco.

Com uma câmera realista e atuações sóbrias, Brizé cria um personagem quase sempre abatido pela realidade do mundo. Procura emprego porque precisa, mas se deprime com a frieza de empresas, chefes e empregados.

Colaboração Estadão Conteúdo.